Criatura do filme Harry Potter dá nome a inseto

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A vespa Ampulex dementor e a imagem de um dementador. Parecidos?

Se você já assistiu algum dos filmes da série Harry Potter muito provavelmente sabe o que é um dementador. Para os que não sabem reproduzimos uma pequena descrição feita pelo site Dicionário Madame Pince, um site criado por fãs especialmente para falar da série: “O dementador é uma criatura das trevas que se alimenta da alma das pessoas, deixando suas vítimas em um estado vegetativo permanente”. Agora que você já sabe o que é um dementador, vai conseguir entender porque seu nome foi escolhido para batizar um inseto.
A vespa Ampulex dementor é nativa da Tailândia e se caracteriza pela reprodução por meio de incubadoras – e a parte “cruel” da história está justamente nesse ponto. Para trazer seus descendentes ao mundo a vespa usa uma barata na incubação. O processo é complexo: pousada sobre a barata a Ampulex dementor injeta neurotoxinas na cabeça dessa praga que passa a adotar instantaneamente um comportamento obediente, seguindo a vespa até sua toca. Em seu ambiente nativo, a vespa bota seu ovo dentro da barata, que torna-se sua incubadora até que ele choque. Para piorar a situação dessa praga, ela vira alimento para a larva recém-nascida até que ela consiga vir ao mundo por conta própria.
Tomando conhecimento desse processo, a escolha do nome dementor (tradução em inglês de dementador) não poderia ser mais adequada, principalmente por se tratar de uma votação pública. Segundo o site I Fucking Love Science as nomenclaturas dos insetos normalmente têm origem nos nomes de patrocinadores ou pessoas que contribuem com a descoberta da espécie batizada. A ideia de transformar essa escolha em algo público tem o objetivo de aproximar as pessoas do mundo dos insetos e torná-las mais atentas à necessidade de preservação da espécie.

O cérebro dos insetos

Lugar de cérebro é na cabeça, certo? Depende da espécie. Algumas aranhas, por exemplo, tem partes do cérebro nas pernas já que o tamanho do órgão extrapola os limites de suas cabeças. Realmente é muita coisa para um corpo tão pequeno: de acordo com o instituto de pesquisas americano Smithsonian Tropical Research Institute (STRI) o sistema nervoso central das menores aranhas do mundo pode ocupar até  80% das suas cavidades corporais e aproximadamente 25% de suas pernas.
Outra curiosidade do mundo dos insetos são as formigas que possuem um fungo no cérebro. Nesse caso o mais surpreendente é a forma de atuação desse fungo do gênero Cordyceps: ele se infiltra na formiga e vai se alimentando dos órgãos não-vitais. A segunda fase desse processo é uma espécie de lavagem cerebral na formiga. As substâncias químicas lançadas pelo fungam forçam o inseto a escalar uma planta até o topo, onde a formiga é morta pelo fungo. E a situação fica ainda pior: da cabeça da formiga morta brota um pequeno cogumelo. Se você for curioso o suficiente para assistir a todo esse processo, há um vídeo detalhado neste link.

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Por último, mas não menos interessante, os cérebros minúsculos e potentes das vespas. Dona de um dos menores sistemas nervosos entre os insetos (composto por apenas 7.400 neurônios), a vespa da espécie Megaphragma mymaripenne (foto acima) consegue voar, procurar comida e encontrar locais corretos para depositar seus ovos. Tarefas bem complexas para tão poucos neurônios, principalmente se compararmos com as moscas que fazem atividades semelhantes e têm 340 mil neurônios.
Veja essas e outras curiosidades sobre o cérebro de alguns animais aqui.