Como as aranhas constroem as teias?

Para construir sua teia, a aranha usa várias glândulas capazes de produzir diferente espessuras de fios que podem ser tanto secos quanto adesivos.
 
Hoje não falaremos do quanto as aranhas são perigosas, ou de como fazer para controlar uma infestação. Falaremos do quanta engenhosidade é necessário para projetar e construir uma teia.
Os fios dessas teias são constituídos de seda que é expelida por minúsculos tubinhos (fúsulas), existentes na parte posterior do abdômen. Ao sair, a seda solidifica-se imediatamente em contato com o ar, formando um fio, com o qual a aranha elabora a teia.
cada espécie de aranha tem um padrão de teia típico, pelo qual se pode, muitas vezes, classificá-las em teia seca e teia viscosa.
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Para começar, a aranha faz um longo e fino fio que é levado pelo vento até que sua extremidade grude em uma superfície. Depois, o aracnídeo caminha sobre ele, indo e voltando várias vezes enquanto o reforça até que esteja bastante firme.
Enfim, ela vai até o meio da linha e puxa outra fibra para baixo, grudando em algo e formando uma espécie de Y. Essas três linhas que se formam são a base da teia. A partir delas, serão tecidos outros fios que formarão raios semelhantes aos de uma roda de bicicleta. Sobre eles, será construída a espiral, marca registrada desses artrópodes, feita de fios viscosos especialmente preparados para a captura das presas.
Quando o refúgio da aranha é feito fora da teia, ela deixa um caminho limpo, como dois raios sem espiral ou feitos de teia seca, ligando o centro da armadilha ao esconderijo, de onde pode sentir a vibração das fibras e saber o tamanho da presa, caminhando então tranquilamente pra buscá-la.
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Fonte : Terra Curiosidades 

Meu pé de teia de aranha

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Não fossem as fotos, a notícia do Papo de Praga de hoje seria inacreditável: árvores cobertas por teias de aranhas. Essa obra da natureza peculiar foi registrada na província de Sind, no Paquistão. Mas a pergunta que não quer calar é: como isso aconteceu?
O fenômeno impressionante das árvores cobertas por teias de aranhas foram percebidos após a devastadora enchente que atingiu o país em 2010, deixando milhões de pessoas desabrigadas. Especialistas acreditam que para fugir das inundações milhões de aranhas se abrigaram na copa das árvores. E lá continuaram a viver, tecendo esses enormes e densos emaranhados de teias que vemos nas fotos desta postagem.
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Além de transformar a paisagem, as aranhas causaram impactos positivos e negativos com sua “obra de arte”. Por um lado as teias matam as árvores aos poucos, uma vez que por natureza elas não são preparadas para abrigar essa espécie de inseto. Em contrapartida, o aumento significativo de teias reduziu intensamente os índices de malária local, uma vez que aprisionou o mosquito transmissor da doença.
No início do ano, em abril, um fenômeno semelhante, porém de menor proporção, foi registrado em Curitiba, no Paraná (foto abaixo).  Ou seja, independente das condições climáticas, as aranhas podem fazer essa obra de arte em qualquer lugar do mundo. É ou não é uma perfeição da natureza?

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Árvore com teias de aranha no Centro de Curitiba (PR). Foto: Adriana Justi/G1

Para ver outras fotos das árvores com teias de aranhas no Paquistão, clique aqui.
Com informações e imagens do site HypeScience.

Aranhas 'decoram' teias para fisgar mais presas

Fonte: BBC News

O formato de círculos concêntricos usado por algumas aranhas na construção de suas teias pode ajudar a atrair mais presas, indica um estudo da Universidade de Incheon, na Coréia do Sul. A função do formato, uma complexa rede orbital, tem motivado debates entre a comunidade científica há muito tempo.
Estudos prévios já sugeriam que tais teias poderiam servir para espantar pássaros, enviar mensagens sobre acasalamento, proporcionar sombras do sol ou até para camuflagem. Mas, agora, cientistas sul-coreanos sugerem que a função primordial seria atrair mais insetos. Isso porque, ao refletir mais raios ultravioleta, a teia atrai insetos sensíveis a esses raios.
A pesquisa publicada no periódico científico Journal of Behavioral Ecology and Sociobology utilizou aranhas-vespas (Argiope bruennichi), uma espécie encontrada em toda a Europa, no norte da África e em partes da Ásia, e conhecida pelo abdômen das fêmeas, que é decorado com listras.
Teias
Durante a construção das teias, as aranhas fazem padrões em zigue-zague a partir do centro. Criados com uma seda branca especial, esses padrões refletem muito mais raios ultravioleta do que outras partes da teia.
Os cientistas questionaram por que os animais produziriam uma teia circular, em uma aparente “armadilha disfarçada”, para “decorar” a teia em volta da parte que realmente teria função útil. Para testar os efeitos dessa decoração, que usa uma seda conhecida como stabilimentum, os pesquisadores compararam as teias decoradas e outras sem adornos.
“A stabilimentum é uma estrutura de seda branca que reflete mais luz ultravioleta do que qualquer outra seda de aranhas”, diz o cientista Kim Kil-Won, da Universidade de Incheon, que lidera o estudo.
A equipe chegou a conclusões sobre a potencial serventia dos enfeites e encontrou uma ligação entre eles e o sucesso de caça das aranhas. “Os efeitos da stabilimentum sobre o sucesso da caça parecem dever-se ao aumento da capacidade de interceptar insetos polinizadores sensíveis aos raios ultravioleta”, diz Kim.
De acordo com seu estudo, as teias adornadas conseguem atrair o dobro dos insetos em relação àquelas que não os possuem.Kim explica que os insetos polinizadores encontrados nas teias possuem maior sensibilidade aos raios UV. Entre eles estão, por exemplo, 20 famílias diferentes de moscas, vespas, cigarras e borboletas.
“Nossos resultados mostraram que a aranha que tece teias orbitais decora sua teia para atrair as presas que reconhecem raios ultravioleta. A função original provavelmente não era atrair presas, mas atualmente o animal se usa dessa habilidade”, disse o cientista.
Ultravioleta
Estudos anteriores mostraram que esses insetos são atraídos por flores com alta capacidade de refletir a luz ultravioleta e que os padrões das teias que têm efeito semelhante se aproveitam dessa predisposição.
“Acreditamos que, ao decorar a teia com um stabilimentum, as aranhas usam uma predisposição da presa com relação a superfícies que refletem UV”, diz o líder do estudo.
Entretanto, o cientista acrescenta que os resultados não invalidam as pesquisas anteriores. “Provavelmente o stabilimentum estabiliza e fortalece mecanicamente a teia orbital. Essa propriedade ajudaria a manter as presas maiores na teia”, diz.
Ele sugere que a adaptação poderia ser usada de formas diferentes por diversas espécies de aranhas que tecem teias circulares, mas que é necessário conduzir mais pesquisas sobre a função original desse formato.
“A origem evolutiva dessa característica pode ter que ser separada de seu papel contemporâneo”, diz Kim.