A personalidade dos insetos

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No filme Vida de Inseto (foto acima) cada personagem tem um jeito muito próprio de viver: Flik, o herói, é uma formiga macho corajosa; os gafanhotos que escravizam a colônia em que Flik vive são metidos a valentões; as moscas da platéia do circo são encrenqueiras. E parece que essa história mirabolante tem um fundo de verdade. Pesquisadores descobriram que cada inseto pode mesmo ter uma personalidade única, com características típicas dos seres humanos.
Para chegar a essa descoberta foi feito o seguinte experimento com mosquitos coletados na Hungria: cada um era trancado num recipiente com diversos objetos; os pesquisadores observavam quanto tempo o bichinho levava para explorar tudo e abandonar o local. Ao final puderam perceber que cada inseto se comportou de uma maneira, e esse comportamento foi repetido em outros experimentos, demonstrando que era uma característica típica daquele mosquito e não uma mera coincidência.
Os principais traços percebidos nos estudos foram ousadia, vontade de explorar, atividade e agressividade. Além disso, os cientistas perceberam que as fêmeas de asas mais longas se mostraram mais ousadas que as de asas curtas. Após a descoberta da personalidade nos insetos, os pesquisadores acreditam que esse estudo possa ser transferido para outros animais.
Com informações do site HypeScience

Estudo sobre zebras mostra que listras diminuem picadas de insetos

As zebras são brancas com listras pretas ou pretas com listras brancas? A gente também não sabe a resposta, mas pesquisadores americanos descobriram que as listras podem afastar os insetos e evitar as picadas.
O estudo publicado por cientistas da Universidade da Califórnia (EUA) concluiu que as zebras podem ter desenvolvido listras para fugir das picadas de insetos, já que seus pelos mais curtos permitem aos bichos sugarem mais sangue nelas do que em outros animais parecidos, como os cavalos. Comprovando a teoria através de um mapeamento, os estudiosos perceberam nas zebras que as áreas do corpo mais atacadas por insetos são mais cobertas pelas listras.
Apesar de inusitada e importante, a descoberta gerou uma nova dúvida: por que as moscas não picam as zebras nas listras? Dê seu palpite nos comentários!

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Formigas inspiram cientistas na criação de robôs

Elas se movimentam com agilidade, usam todos os membros do corpo para se amparar nas quedas e têm métodos de escavação surpreendentes. Por causa de todas essas características os cientistas têm prestado cada vez mais atenção nas formigas.
Pesquisadores do Instituto de Tecnologia da Geórgia, nos Estados Unidos, têm acompanhado de perto os hábitos das formigas que, segundo eles, podem inspirar a criação futura de robôs para busca e salvamento.
Para entender como as formigas se comportam os cientistas americanos coletaram vários desses insetos no entorno do prédio do Instituto e as colocaram em recipientes com os mais diversos tipos de materiais em vários níveis de umidade.  Com a ajuda de câmeras de alta velocidade e equipamentos de raio-X eles puderam observar com mais detalhes a técnica usada pelas formigas para cavar túneis estáveis e seguros até mesmo em areia solta. Foi possível ver também como elas sobrevivem aos mais diversos tipos de quedas sem se machucar ou morrer.
Veja no vídeo abaixo mais detalhes sobre a pesquisa. Aproveite o tema do post de hoje para ler outras curiosidades sobre as formigas aqui.

Pesquisadores brasileiros estudam enzimas de baratas para obter etanol

Rafael Sampaio Do Globo Natureza, em São Paulo

Um grupo de pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) está estudando como usar baratas – mais precisamente enzimas especializadas no sistema digestivo delas – para ajudar na obtenção do etanol.
A ideia é usar as enzimas para degradar bagaço de cana e com isso obter açúcares, que podem ser usados para produzir etanol, aponta o professor Ednildo de Alcântara Machado, do Instituto de Biofísica da UFRJ. O álcool é obtido pela fermentação destes açúcares, realizada por fungos conhecidos como leveduras.
A barata ‘Nauphoeta cinerea’, uma das espécies estudadas (Foto: Divulgação/Universidade de Queensland)

Dois tipos de baratas estão sendo pesquisados: a Periplaneta americana, espécie comum e encontrada em esgotos e escondidas nas casas; e a Nauphoeta cinerea, um tipo de barata da América Central, mas que hoje é encontrada em vários lugares do globo. Alimentados com bagaço de cana, os insetos se adaptaram e tornaram-se capazes de digeri-lo, produzindo enzimas especializadas para isso, diz o pesquisador.
“Os resultados são bastante promissores. Essa adaptação que o inseto faz ao bagaço tem sinalizado que dele podem vir novas fontes de enzimas”, afirma Machado. As baratas foram capazes de sobreviver por mais de 30 dias somente com o bagaço de cana, ressalta o cientista.
Ele afirma que a pesquisa, por enquanto, encontra-se nas etapas de condicionar as baratas para consumir o bagaço e de identificação das enzimas especializadas. O etanol ainda não foi obtido. “Não é uma coisa distante [a produção do etanol]”, diz Machado, “mas as etapas têm que ser trabalhadas em conjunto. Não sei dizer quando [vai ser produzido]”.
Fáceis de criar
O grupo de pesquisadores também estuda a degradação da biomassa usando cupins, o que ocorre com relativo sucesso, segundo Machado. “Mas as baratas são mais fáceis de criar em laboratório. Elas se adaptam com facilidade”, afirma. Ele ressalta que os dois insetos têm fisiologia parecida.
A ideia para o futuro é isolar as enzimas produzidas pelas baratas e tentar criar um “kit enzimático” que permita retirar o açúcar do bagaço da cana em laboratório, diz Machado. “Um dos desafios é o custo, a produção destas enzimas em escala industrial ainda é muito cara. O nosso modelo tem apelo porque é uma fonte nova de enzimas, pode ajudar a ter enzimas mais eficientes”, diz ele.

Novas etapas
Pesquisar as enzimas é uma etapa importante para produzir o etanol, mas não é a única, diz o pesquisador. Outros pontos importantes são o tratamento do bagaço da cana, para que ele seja facilmente degradado, e a fermentação. O próximo desafio do grupo, de acordo com Machado, é aumentar a escala de produção das enzimas. “Se elas continuarem com a eficiência [encontrada], acredito que podem ajudar.”
As baratas “moldam” sua digestão a outras fontes de biomassa, como restos de papel, diz o cientista. “O que parece ser interessante é que quando você muda a biomassa usada como comida, ela se adapta. Em dez dias, em média, ela começa a produzir uma série de enzimas especializadas para quebrar o alimento”, afirma.
Diante da mudança de fonte de comida, a barata adapta também a sua microbiota, a “fauna” de micróbios que vivem em seu sistema digestivo, relata Machado. “São microorganismos de alto interesse tecnológico, eles produzem uma série de enzimas.”

Manipulação genética
Algumas enzimas do sistema digestivo da barata já foram identificadas, segundo o pesquisador. Um dos próximos passos é estudar como retirar partes do DNA dos insetos que definem a produção destas substâncias, para inseri-los em bactérias por manipulação genética.
Os micróbios “transgênicos” poderiam então produzir as enzimas e degradar a biomassa em escala industrial.
O pesquisador aponta um ganho ambiental com a produção do etanol desta maneira: a diminuição da necessidade de se plantar cana-de-açúcar. “Em vez de plantar mais cana, você aproveitaria o corpo das células da planta. Você aumentaria a produção do álcool sem plantar mais”, diz Machado.

 

Um único mosquito pode transmitir tipos diferentes de dengue

Numa única larva do mosquito, há mais de um sorotipo da doença

Um estudo de doutorado sobre vírus em vetores da dengue, divulgado nesta semana pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), comprova o que a literatura científica ainda não tinha encarado: em uma única larva do mosquito da dengue, o Aedes aegypti, há mais de um sorotipo da doença.
A descoberta pode ser a chave de que autoridades de saúde precisavam para explicar os mistérios que rondam esse drama silencioso e repensar novas estratégias de ataque a este mal, que só neste ano foi responsável pela morte de 99 pessoas em Minas.
Com dois vírus, o potencial do mosquito pode ser ainda maior, como suspeitam os pesquisadores. Eles apontam que, com a descoberta, daqui para a frente novos estudos serão feitos na tentativa de identificar se as formas mais graves da doença estão relacionadas ao duplo poder do inseto.
Com a novidade, as pesquisas já caminham para responder a outras perguntas que podem nortear muitos trabalhos de combate ao inseto. “Quando o Aedes aegypti chega à fase adulta, será que ele transmite os dois vírus ou um anula o outro? Se comprovarmos que ele fica com maior potencial de contaminação, podemos, talvez, justificar a gravidade de casos que ocorrem em algumas pessoas e em outras não.”

Riscos

Segundo define o autor da tese, José Eduardo Marques Pessanha, a pesquisa é um alerta para um risco em potencial que a dengue traz. “O que faz com que algumas pessoas tenham casos brandos e outras mais graves? Para muitas pode ser um organismo com baixa imunidade ou talvez a possibilidade de ter sido a picada de mosquito que carregava dois vírus. Vamos ir a fundo nessas questões”, promete, destacando que o estudo foi apresentado em um Congresso em Cancún, no México, e será publicado em revista brasileira de medicina tropical.
(Fonte: Estado de Minas)