Preciso me vacinar contra a febre amarela? Veja perguntas e respostas sobre o surto em MG

Em um hospital de São Paulo, desde que os casos de febre amarela silvestre começaram a aumentar em Minas Gerais, a procura por vacinas triplicou. São 32 mortes confirmadas em terras mineiras e três óbitos no noroeste paulista – em São José do Rio Preto e em Ribeirão Preto. O G1 conversou com especialistas para entender qual é o tamanho da epidemia e quem precisa correr para se prevenir contra a doença.

1. Por que este surto de febre amarela é chamado de “silvestre” e “selvagem”?

Porque os casos são registrados em regiões rurais ou de mata, transmitidos pelos mosquitos Haemagogus ou Sabethes. Por enquanto, não foi detectada a transmissão da doença pelo Aedes aegypti, mais famoso pela dengue, zika e chikungunya e por gostar das áreas urbanas.

2. É possível que a epidemia chegue às grandes cidades?

Sim. Uma pessoa infectada em zona rural poderá ir para uma cidade. Uma vez picada por um mosquito Aedes aegypti, o inseto poderá transmitir para outra pessoa, e assim por diante. A boa notícia é que isso não aconteceu ainda, de acordo com o Ministério da Saúde e os médicos entrevistados.

“A pessoa que vive dentro da cidade, em São Paulo por exemplo, não precisa entrar em pânico, mas é verdade que todo mundo tem que receber pelo menos uma dose da vacina […]. Sem dúvida alguma, pessoas que têm contato com área rural ou silvestre precisam estar vacinadas”, disse Marcelo Simão, consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia.

Vale ressaltar que o vírus da febre amarela não é transmitido de pessoa para pessoa, apenas pela picada de mosquitos infectados.

“A epidemia, na verdade, está entre os macacos da mata. O homem adentrando ou estando próximo é picado pelo mesmo mosquito e adquire a doença”, completou Simão.

3. Devo sair atrás da vacina, então?

Como o surto está concentrado fora das regiões urbanas, o Ministério da Saúde recomendou a imunização para todas as pessoas que residem em Áreas com Recomendação da Vacina contra febre amarela e aqueles que vão viajar para regiões silvestres, rurais ou de mata. Os estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Espírito Santo e Rio de Janeiro estão fora da área de recomendação para a vacina.

4. Quem pode se vacinar?

Em situações de emergência, a vacina pode ser administrada já a partir dos 6 meses. O indicado, no entanto, é que bebês de 9 meses sejam vacinados pela primeira vez. Depois, recebam um segundo reforço aos 4 anos de idade. A vacina tem 95% de eficiência e demora cerca de 10 dias para garantir a imunização já após a primeira aplicação.

Pessoas com mais de 5 anos de idade devem se vacinar e receber a segunda dose após 10 anos. Idosos precisam ir ao médico para avaliar os riscos de receber a imunização.

Por causar reações, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não recomenda a vacina para pessoas com doenças como lúpus, câncer e HIV, devido à baixa imunidade, nem para quem tem mais de 60 anos, grávidas e alérgicos a gelatina e ovo.

Mosquito haemagogus é um dos transmissores da forma rural da febre amarela (Foto: Reprodução/TV Globo)

5. Eu me vacinei uma vez, preciso me vacinar novamente?

De acordo com o infectologista Artur Timerman, presidente da Sociedade Brasileira de Dengue e Arboviroses, é importante se vacinar duas vezes – a segunda dose deverá ser tomada depois de 10 anos. Depois disso, a pessoa ficará imune por toda a vida.

Para áreas epidêmicas da doença, a Organização Mundial da Saúde (OMS) informa que é necessária apenas uma dose – a chance de o corpo entrar em contato com doença por uma segunda vez antes de perder a proteção é grande. Tal contato reforça a criação de anticorpos e funcionaria como uma segunda dose.

6. A doença vai se espalhar por todo o Brasil?

Depende. De acordo com os especialistas, se a população de Minas Gerais e das áreas afetadas passar por uma boa vacinação de contenção, o surto irá diminuir. Todas as pessoas residentes nas regiões dos casos devem ser imunizadas.

O Ministério da Saúde informou que todos os estados estão abastecidos com a vacina e o país tem estoque suficiente para atender toda a população nas situações recomendadas. O órgão disse, ainda, que enviou 735 mil vacinas ao estado, totalizando mais de 1 milhão de doses ao estoque de Minas Gerais.

7. Quais os sintomas da febre amarela?

A doença se torna aparente de três a seis dias após a infecção, de acordo com o Ministério da Saúde. Os sintomas iniciais são febre, calafrios, dor de cabeça intensa, dores nas costas, dores no corpo em geral, náuseas e vômitos, fadiga e fraqueza. A maior parte das pessoas apresenta uma melhora após tais sintomas.

Cerca de 20% a 40% das pessoas que desenvolvem a versão mais grave da doença (15% do total de infectados) podem morrer.

Fonte: G1

Mosquito, o animal mais mortal do mundo

Se a sua dedetização precisa de um alvo principal, o mosquito pode ser um deles. Um levantamento da Fundação Bill e Melinda Gates revela que o mosquito fica em primeiro lugar na lista dos animais que mais matam seres humanos no mundo. Isso acontece, claro, por causa da capacidade desses animais de transmitir um grande número de doenças, algumas delas sem vacina nem tratamento. Isso nos leva a pensar que um mundo ideal seria aquele em que todos os mosquitos fossem exterminados. Mas será que isso é, de fato, algo possível?
Não, não é possível eliminá-los completamente. O que é possível é evitar que eles entrem em nossa casa, mantendo um ambiente equilibrado, uma vez que eles são alimentos de várias espécies de répteis e anfíbios. É possível dizer que o desequilíbrio e, consequentemente, as infestações acontecem em decorrência da ação degradante do homem ao invadir áreas verdes produzindo lixo e recipientes que se tornam habitats desses animais contribuindo para a reprodução.
Não, não é possível eliminá-los completamente. O que é possível é evitar que eles entrem em nossa casa, mantendo um ambiente equilibrado, uma vez que eles são alimentos de várias espécies de répteis e anfíbios. É possível dizer que o desequilíbrio e, consequentemente, as infestações acontecem em decorrência da ação degradante do homem ao invadir áreas verdes produzindo lixo e recipientes que se tornam habitats desses animais contribuindo para a reprodução.

Calor e umidade prolongada lançam alerta para a dengue em BH

Não bastasse o risco de alagamentos e desmoronamentos com a temporada de chuva, uma combinação de fatores acende o alerta para outro desafio na capital mineira. O calor e a umidade prolongada, que tendem a ficar cada vez mais intensos, favorecem a proliferação do Aedes aegypti, vetor da dengue, chikungunya e zika.
Só neste ano, 154 mil pessoas tiveram dengue em Belo Horizonte e outros 1.780 casos estão pendentes de resultados. Cinquenta e cinco moradores da capital perderam a vida devido a complicações da doença.
O último levantamento disponibilizado pela Secretaria Municipal de Saúde (SMSA) mostra a regional Barreiro no topo do ranking, com 25 mil ocorrências, seguida pela Nordeste (21 mil) e Leste (20 mil).
Após registrar dias seguidos de chuva na semana passada, focos do mosquito podem ser vistos em diferentes regiões da cidade. São pneus velhos, garrafas destampadas, potes de plástico e até lixo que podem acumular água e servir como um meio de reprodução para as larvas.
No bairro Goiânia, região Nordeste de BH, o que chama a atenção é a Unidade de Recebimento de Pequenos Volumes (URPV). Instalado na rua Araci de Almeida, próximo ao Anel Rodoviário, o espaço tem uma espécie de reservatório cheio de água, que pode oferecer perigo. Próximo dali, em um lote vago, entulhos também servem como criadouros. Uma equipe da regional Nordeste irá até o local para verificar a situação.

Dengue

CRIADOURO – No bairro Santa Inês, um pneu pendurado em um poste acumula água

O infectologista e professor da UFMG Unaí Tupinambás reforça que o período chuvoso, seguido de estiagem e altas temperaturas, é o quadro perfeito para a proliferação do Aedes aegypti. Segundo ele, que acredita em um aumento dos registros de chikungunya, o melhor a se fazer é a prevenção, com eliminação dos possíveis focos.
Combate
Em nota, a SMSA informou que realiza ações constantes de conscientização. Mutirões de limpeza para eliminar possíveis criadouros e evitar a presença do mosquito também são feitos o ano inteiro, diz a secretaria. Em 2016, foram 174 mutirões, com recolhimento de mais de 4 mil toneladas de materiais.
Águas contaminadas favorecem casos de leptospirose
Belo Horizonte tem 51 pontos com risco de alagamento. Assim, o perigo nesse período de chuvas mais intensas não está restrito à dengue. O alerta à população também vale para doenças provocadas pelo contato com água contaminada.
A leptospirose – infecção grave que pode até matar – é uma delas. O infectologista Estevão Urbano é categórico. Para ele, as pessoas devem, sempre, evitar o contato com poças, enchentes e enxurradas. Só assim para afastar qualquer risco.

Dengue

ENTULHO – No Goiânia, recipientes de plástico e lixo podem favorecer o surgimento de larvas do mosquito

“Porém, nos casos em que isso não é possível (evitar o contato com a água), é aconselhado proteger mãos e pés, com luvas, botas ou até mesmo plásticos. Depois, o ideal é tomar um bom banho. Se a casa, móveis e demais objetos forem molhados, a recomendação é usar desinfetantes e água sanitária”, explica o médico.
Sintomas
Causada por uma bactéria presente na urina de ratos, a leptospirose tem como sintomas febre alta, mal-estar, dores de cabeça e pelo corpo, cansaço, vômitos e desidratação. Na maioria dos casos, o tratamento inclui o uso de antibióticos, mas sem o diagnóstico, a doença tende a causar danos mais graves. “Dependendo do caso, o paciente pode até ter hemorragia e insuficiência renal. Nessas situações, o tratamento pode precisar de hemodiálise e internação, por exemplo”, afirma o infectologista.
Bactérias, vírus e parasitas também são carregados pelas águas contaminadas da chuva, o que pode propiciar o surgimento de outras doenças, como a diarreia. No entanto, cuidados básicos, como lavar sempre as mãos e os alimentos, e ferver a água, podem evitar o problema.

Arte dengue

Mosquitos: saiba o que mais os atrai

A presença de mosquitos é menor no outono, contudo existem alguns fatores que continuam a atrair estes insetos.

A presença de mosquitos fora da primavera ou verão depende, em muito, do clima do local onde se está, contudo, diz o Business Insider, são sete os fatores que conseguem atrair estes insetos e fazer com que sejam mais teimosos (e violentos).
Um deles é o tipo de sangue, sendo que as pessoas da categoria O são mais propensas a sofrer com as picadas dos mosquitos, como indica um estudo publicado, em 2004, no Journal of Medical Entomology.
A gravidez é outro dos fatores e dos que mais atrai os insetos, existindo uma diferença significativa entre a propensão à picada entre mulheres grávidas e não grávidas.
Segundo a publicação, também a ciência já mostrou que o álcool é outro dos aspetos que cativam os mosquitos, estando as pessoas menos sóbrias mais vulneráveis às suas picadas.
Mas como não podia deixar de ser, também o odor corporal ajuda a que os mosquitos queiram ou não ‘atacar’. As pessoas com odores mais intensos – possivelmente devido a maiores níveis de suor – são as mais afetadas, assim como aquelas que possuem um menor número de micróbios na pele.
Os mosquitos também preferem as pessoas que emitem menos dióxido de carbono e aquelas que se exercitam mais e, por isso, produzem mais ácido láctico.
Leia o texto original em Notícias ao Minuto

Você sabe a diferença entre dengue, febre amarela e malária?

Há mais semelhanças entre a dengue, a febre amarela e a malária do que supõe a nossa vã filosofia. Com sintomas parecidos e modo de transmissão idêntico, essas três doenças podem confundir o diagnóstico de saúde da pessoa contaminada – principalmente no verão, época do ano em que a dengue assombra os brasileiros.
Para não restar dúvidas reproduzimos aqui uma seleção das principais características de cada doença. Claro que nenhuma dessas informações substitui uma visita ao médico e um diagnóstico profissional no caso de você apresentar algum dos sintomas. Mas informação nunca é demais, não é mesmo?
Dengue

aedes

No Brasil ultimamente é falar em verão e chuva que todo mundo logo pensa na dengue. Também não é pra menos: em 2013 o país registrou um aumento de 190% nos casos de dengue em comparação com 2012. A doença transmitida pelo já conhecido mosquito Aedes aegypti pode ser causada por quatro tipos de vírus diferentes – daí os termos “dengue tipo 1”, 2, 3 e 4 tão comumente usados nos noticiários. Os sintomas muita gente já conhece ou já experimentou: febre, dores de cabeça, nos olhos e articulações, sensação de cansaço. A dengue infelizmente não tem vacina e o tratamento é lento: repouso, hidratação e remédios para combater dor e febre. A melhor solução ainda é a prevenção: evitar locais que acumulem água no seu quintal, na sua casa, na vizinhança. Para proteger o corpo um repelente de mosquitos já é um bom começo.
Febre amarela
febre_amarela_Haemagogus
Muito comum no Brasil, a Febre Amarela é transmitida pelo mosquito Haemagogus. Ao picar o ser humano causa sintomas muito semelhantes aos da dengue, o que contribui para que essa duas enfermidades sejam tão confundidas. Mas é aí que está a diferença: além da febre alta e das dores de cabeça e no corpo, a pessoa portadora da febre amarela pode ficar com os olhos e a pele amarelados, o que justifica o nome da doença. Para nossa alegria, possui vacina.
Malária

malaria_anopheles_stephensi

Também transmitida por um mosquito (o Anopheles) a malária já foi erradica em alguns países, mas não no Brasil. A pessoa infectada apresenta sintomas como náuseas, febre, dores de cabeça, cansaço e até anemia. Também não possui vacina e o tratamento é a base de remédios para reduzir a presença do protozoário Plasmodium (causador da doença) no sangue.
Com informações da Superinteressante.

Sabonete repelente

Se alguém te perguntasse qual é mais perigoso, um leão ou um mosquito, o que você diria? Muitas pessoas responderiam sem dúvidas a primeira opção. Mas você já parou pra pensar na quantidade de doenças que um mosquito transmite e que há mais mortes humanas em decorrência de doenças transmitidas por insetos do que por ataques de leões?
Anopheles é o nome científico do mosquito-prego, cuja fêmea é a responsável pela transmissão da Malária, doença que contaminou 219 milhões de pessoas no mundo, em 2010, levando 660 mil delas ao óbito. Desses casos anuais 300 mil acontecem na África, onde estão 91% das pessoas que morreram vítimas da doença – que é, inclusive, a primeira causa de óbitos no continente.
O desafio de proteger milhões de pessoas de uma doença transmitida por um mosquito é enorme, principalmente em se tratando de um local com extrema pobreza como a África. Mas foi graças a essas condições difíceis que dois estudantes locais tiveram uma ótima ideia: sabonete repelente.
sabonete_repelente
Fabricado a base de manteiga de karité, ervas e óleos essenciais, o “Faso Soap” atua como repelente ao mosquito da Malária graças ao cheiro que deixa na pele. A invenção não é apenas prática, como totalmente adequada à situação do povo africano – a maioria não tem condições de adquirir repelentes, mas até as comunidades mais pobres usam sabonete regularmente. Em resumo, uma maneira simples e eficiente de reduzir as estatísticas de contaminação pela Malária no continente africano.
Clique aqui para conhecer mais detalhes dessa invenção e ver um vídeo (em inglês) sobre o processo de criação do “Faso Soap”.

Casos de dengue continuam a subir em Minas

Mosquito da dengue

A estação do ano mais preocupante para as autoridades de saúde responsáveis pelo combate à dengue já terminou há mais de um mês. Mesmo longe do verão, Minas Gerais continua em alerta com a doença. Uma reportagem publicada no jornal Estado de Minas, no início desse mês, afirma que a epidemia vivenciada pelos mineiros é a mais letal desde 2008. Também não é para menos: a dengue já levou a óbito 49 moradores do estado e o número de pessoas infectadas não para de subir.
Para orientar as pessoas a combaterem o mosquito Aedes Aegypti, a Coordenadora de Zoonoses da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais deu dicas em uma entrevista ao jornal MGTV, da Rede Globo. Além disso, a emissora divulgou também um estudo que revela detalhes sobre os hábitos do mosquito. A pesquisa realizada na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) revela que o Aedes Aegypti possui hábitos diurnos e somente a fêmea da espécie transmite a doença. De acordo com os pesquisadores há horários específicos para os ataques: entre 7h30 e 10h e 15h30 e 19h, pois o mosquito não gosta muito de calor então se esconde nos horários mais quentes do dia. Além disso, por voar em média a 1,20m de altura, a maioria das ocorrências de picadas é detectada na região entre os pés e os joelhos. Os pesquisadores recomendam que as pessoas passem repelente de hora em hora, mesmo se estiverem de calças compridas, pois a picada do Aedes Aegypti atravessa até o grosso tecido das calças jeans.
E você? O que está fazendo para combater a dengue?
Com informações dos sites de notícias Estado de Minas e G1.

Casos de dengue crescem quase 1.000% sobre 2012

Fonte: EM


O aumento de quase 1.000% no número de casos confirmados de dengue em BH neste ano, em relação aos 57 confirmados no mesmo período de 2012, está exigindo reforço nas ações de combate ao mosquito Aedes aegypti. Os 605 exames positivos até 20 de fevereiro, que também superaram os 585 casos de 2012 inteiro, levaram a prefeitura a contratar mais 200 agentes, que se somarão aos 287 convocados em dezembro e aos 1.467 que já estavam no cargo.
Nas visitas domiciliares eles farão monitoramento do vetor, retirada dos focos, além de orientar moradores. Especialista e população, no entanto, cobram ações mais enérgicas e acreditam que as medidas de prevenção foram tardias. “Um dos motivos para o aumento de casos é a circulação do vírus den tipo 4. Mas as medidas preventivas não foram tão eficazes como nos últimos anos, quando houve menos casos”, afirma o professor da Faculdade de Medicina da UFMG Unaí Tupinambás.
“Vivemos uma epidemia, mas ainda há tempo para controlar a infestação. Pelo menos, a prefeitura está reforçando o número de agentes”, disse, lembrando que a tendência do número de casos ainda é de crescimento. “E ainda estamos com sorte porque não está chovendo tanto em BH”.
A gerente de Controle de Zoonoses, Silvana Tecles Brandão, explica que apesar dos níveis pluviométricos deste ano terem sido mais baixos do que no ano passado, eles foram suficientes para a eclosão de ovos acumulados em criadouros. Além disso, as altas temperaturas favoreceram o desenvolvimento da larva, que chega à fase adulta em ciclo rápido de oito dias.
Outro fator é a entrada do vírus den 4. “Até então, quem adoeceu por dengue foi por outros vírus. Temos uma população completamente suscetível ao tipo 4”, explica Silvana.
Outras ações
Além dos novos funcionários, a secretaria está colocando faixas nos 83 bairros que apresentaram Liraa (Levantamento Rápido do Índice de Infestação por Aedes aegypti) maior que três.  Até agora 212 foram afixadas. Essas regiões, bem como os bairros que vêm tendo grande número de casos notificados da doença nos postos de saúde são alvo também de ações de mobilização e de mensagens via carro de som.
Sujeira
Apesar do esforço, ainda há muito o que ser feito. Do supermercado onde trabalha no bairro Santa Tereza, a estoquista Fabiana de Brito Reis, de 30 anos, vê a situação de um lote vago tomado por mato e lixo na esquina da Avenida do Contorno com Rua Hermílio Alves. Para ela, que já sentiu na pele os efeitos da dengue, a sensação é de incômodo. O local foi um dos escolhidos na Região Leste para receber o alerta da prefeitura sobre o alto índice de infestação da doença. Ele fica em frente ao Mercado Santa Tereza, de onde Fabiana observa a sujeira. “Dá muito medo ver que o lixo fica aí espalhado, podendo esconder focos do mosquito da dengue e ninguém se preocupa com a saúde das pessoas”, conta Fabiana, que contraiu a doença há cerca de um ano. “Não desejo isso para ninguém. Foi uma experiência pavorosa, que não consigo esquecer”, diz a estoquista, que ficou 10 dias na cama.
Apesar de reconhecer que prevenção e limpeza são deveres de todos, a repositora cobra ações mais enérgicas do poder público. “O dono do lote tem a responsabilidade de manter o local limpo, mas a prefeitura deve estar o tempo todo atenta e fiscalizar para que locais como estes não fiquem se tornem pontos de infestação”.
Aumento de 190% no país
Levantamento do Ministério da Saúde mostra que do início de janeiro até 16 de fevereiro foram registrados 204.650 casos de dengue no país, um aumento de 190% sobre o mesmo período do ano passado. Segundo o ministério, 84,6% estão concentrados em oito estados. Apesar do aumento do número de ocorrências, o levantamento mostra uma redução de 44% dos casos graves e de 20% de mortes provocadas pela doença. Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, é clara a situação de epidemia em alguns estados e municípios. O ministro atribuiu a expansão da doença a mudanças climáticas, como excesso de chuvas, seca e calor, e também à circulação de um novo tipo de Dengue, chamado DEN24. A maior concentração da doença está no Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Goiás, e São Paulo.


Mosquito da dengue criou resistência a repelente, diz pesquisa

Uol Notícias

Uma pesquisa conduzida por cientistas no Reino Unido revelou que o mosquito da dengue aparentemente desenvolveu resistência a um princípio ativo presente na maioria dos repelentes atualmente comercializados no mundo, inclusive no Brasil.
A substância, conhecida como DEET, ou dietiltoluamida, é largamente empregada em repelente contra insetos, combatendo mosquitos, pernilongos, muriçocas e borrachudos. O composto age interferindo nos receptores sensoriais desses animais, inibindo seu desejo de picar o usuário.
O estudo, divulgado pela publicação científica Plos One, analisou a reação de mosquitos da espécie Aedes aegypti, vetores da dengue e da febre amarela, à substância. Os cientistas concluíram que, ainda que inicialmente repelidos pelo composto químico, os insetos depois o ignoraram.
Eles recomendaram que governos e laboratórios farmacêuticos realizem mais pesquisas para encontrar alternativas à DEET.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a dengue é hoje a doença tropical que se propaga mais rapidamente no mundo. Nos últimos 50 anos, sua incidência aumentou 30 vezes, o que pode transformá-la em uma pandemia, advertiu o órgão.
Isca
Para provar a eficácia da DEET os cientistas pediram a voluntários que aplicassem repelente com DEET em um braço e soltaram mosquitos.
Como esperado, o repelente afastou os insetos. No entanto, poucas horas depois, quando ofereceram aos mesmos mosquitos uma nova oportunidade de picarem a pele, os cientistas constataram que a substância se mostrou menos eficiente.
Para investigar os motivos da ineficácia da DEET, os pesquisadores puseram eletrodos na antena dos insetos.
“Nós conseguimos registrar a resposta dos receptores na antena dos mosquitos à DEET, e então descobrimos que os mosquitos não eram afetados pela substância”, disse James Logan, da London School of Hygiene and Tropical Medicine, instituição que realizou o estudo.
“Há algo sobre ter sido exposto ao composto químico pela primeira vez que muda o sistema olfativo dos mosquitos. Ou seja, a substância parece mudar a capacidade dos mosquitos de senti-la, o que a torna menos eficiente”, acrescentou.
Uma pesquisa anterior feita pela mesma equipe descobriu que as mudanças genéticas em uma mesma espécie de mosquito podem torná-los imunes à DEET.
“Os mosquitos evoluem muito rapidamente”, disse ele. “Quanto mais nós pudermos entender sobre como os repelentes funcionam e os mosquitos os detectam, melhor poderemos trabalhar para encontramos soluções para o problema quando tais insetos se tornarem resistentes à substância”.
O especialista acrescentou que as descobertas não devem impedir as pessoas de continuarem usando repelentes com DEET em áreas de alto risco, mas salientou que caberá aos cientistas tentar desenvolver novas versões mais efetivas da substância.
Para complementar o estudo, os pesquisadores britânicos agora planejam entender por quanto tempo o efeito dura depois da primeira exposição ao composto químico.
A equipe também deve estudar o efeito em outros mosquitos, incluindo espécies que transmitem malária.
Brasil
No Brasil, a dietiltoluamida está presente na maioria dos repelentes encontrados à venda. Produtos com termetrina e citronela também podem ser achados, mas em menor número.
Não é a primeira vez, entretanto, que a substância causa polêmica.
No ano passado, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) abriu à consulta popular uma proposta de resolução para assegurar a segurança e a eficácia dos repelentes a ser adotada pelos fabricantes.
No documento, cujo objetivo era disciplinar o comércio desse tipo de produto, o órgão determinava, por exemplo, a proibição do uso de repelentes com DEET em crianças menores de dois anos, além de informar sobre a necessidade de um estudo prévio para produtos com dosagem acima de 30% para um público acima de 12 anos. Em altas dosagens, especialmente em crianças, repelentes com DEET podem ser tóxicos.
Em entrevista à BBC Brasil, Jorge Huberman, pediatra e neonatologista do Hospital Albert Einstein e diretor do Instituto Saúde Plena, sugeriu alternativas ao uso de repelentes com DEET.
“É comum que depois de algum tempo os mosquitos adquiram certa imunidade ao produto, ainda que sejam necessários mais estudos para comprovar tal tese”, explicou.
“Como alternativa, as pessoas podem usar repelentes com citronela e tomar complexo B, cujo cheiro desagrada os mosquitos, além, é claro, de usar mosquiteiros”, disse.