A formiga-pote-de-mel

Pense em um inseto que tem tudo a ver com mel. A abelha, certo? Também. Isso porque há outro inseto que podemos incluir no assunto: a formiga. Sim, você já ouviu falar na formiga-pote-de-mel?
 
A formiga-pote-de-mel é um animal mais comum nas partes mais quentes do globo. Ela pode ser encontrada, por exemplo, na Austrália. É uma espécie que acumula e guarda mel para ajudar na manutenção da colônia durante a seca, período no qual a comida fica cada vez mais escassa. O abdômem da formiga-pote-de-mel é um tipo de reservatório que aumenta muito de tamanho conforme a quantidade armazenada. Uma vez dentro do formigueiro, elas dividem o mel conseguido com as outras.
 
Com informações do site Mais Natureza.

Fatos incríveis sobre as formigas

As formigas, sobretudo a forma com a qual se organizam em sociedade, podem ser animais incríveis. Duvida? Então dê só uma olhada nesta lista de fatos curiosos sobre elas:

  • Os parentes mais antigos desses animais apareceram no período Cretáceo, há mais de 100 milhões de anos.
  • Na sociedade das formigas, os membros são separados pela função que exercem.
  • Enquanto uma operária vive por sete anos, a rainha chega aos 14.
  • A rainha é maior que as outras formigas e a reprodução fica sob sua responsabilidade.
  • Depois do acasalamento com a rainha, os machos geralmente morrem.
  • Todas as operárias são fêmeas. Uma de suas tarefas é cuidar da rainha.
  • A maior formiga do mundo é africana e mede 5cm.
  • Por causa da sua arquitetura corporal, as formigas podem cair de qualquer altura sem se machucar.
  • Alguns túneis dentro de formigueiros podem chegar a 12m de profundidade.

Formigas utilizam referências terrestres e estelares para se orientarem

As formigas utilizam pelo menos três tipos de memória para se orientarem e referências terrestres e estelares para se guiarem quando andam para trás, revela um estudo publicado na quinta-feira na revista científica “Current Biology”.
“O mundo dos insetos é muito mais complexo do que se imaginava”, indicou em comunicado o Centro Nacional de Pesquisas Científicas (CNRS, sigla em francês) da França, que fez parte da pesquisa.
Os novos resultados, segundo seus dados, mostram que as formigas se orientam no espaço graças “a múltiplas representações e memórias” que põem em jogo “uma transferência de informação entre vários setores cerebrais”.
Até agora, acreditava-se que a formiga andava memorizando uma cena, por isso sempre era necessário que este inseto estivesse posicionado da mesma maneira, para que pudesse reconhecer o espaço.
No entanto, o estudo, que utilizou a espécie “Cataglyphis velox” para realizar experimentos em um deserto da Andaluzia, no sul da Espanha, indica que as representações das direções das formigas estão “concentradas no mundo exterior” e não de maneira tão “egocêntrica”, como se pensava.
A formiga é capaz de memorizar a rota, a nova direção a seguir e como recuperar, por exemplo, um pedaço de biscoito, de acordo com os testes realizados pelos cientistas, que demonstraram, além disso, que estes insetos se guiam através de corpos celestes quando se deslocam em marcha à ré.
“As formigas são capazes de manter uma trajetória retilínea, seja com movimentos para frente, seja para trás e para os lados”, indicou o CNRS, que acrescentou que, embora o cérebro do inseto seja menor que a cabeça de um alfinete, sua capacidade de orientação é “surpreendente”.
Fonte: Ambiente Brasil

Formigas agricultoras plantam café nas florestas tropicais

Pesquisadores alemães descobriram nas ilhas Fiji uma espécie de formiga que semeia, aduba, colhe plantas e as usa como casa. Assim como os seres humanos, ela possui um instinto agrícola – há milhões de anos.As formigas da espécie tropical Phildris nagasau, nativas das ilhas Fiji, no Pacífico, fazem algo que se acreditava só os seres humanos fossem capazes: elas cultivam pés de café na casca de outras árvores, a fim de colher o néctar com que se alimentam. Mais tarde, utilizam como moradia as estruturas bulbosas na copa da floresta.

“Essa é a primeira formiga que planta suas futuras habitações”, observa a botânica Susanne Renner, da Universidade Ludwig-Maximilian (LMU), de Munique. Durante semanas, os insetos fertilizam as plântulas, sem tirar nenhum benefício direto. Só após três a cinco meses é que podem se mudar para a jovem planta de café.

“É como um agricultor que cultiva sua safra”, compara Renner, em entrevista à DW. Em conjunto com seu doutorando Guillaume Chomicki, ela desenvolveu a pesquisa sobre a espécie “agricultora” nas regiões insulanas tropicais de Fiji e Bornéu, as quais abrigam numerosas espécies de formigas.

Para estudar os insetos, Chomicki subia no topo das árvores com a ajuda de cordas, ficando pendurado durante horas para observar e realizar experimentos. Uma meta era descobrir se o planejamento de longo prazo na Phildris nagasau é fruto de inteligência.

“Até onde se sabe, esse comportamento é todo inato. A formiga precisa saber que sementes plantar”, revela Renner. Para testar, ofereceu-lhes outras sementes e grãos de cereais. No entanto, elas só aceitavam as das espécies que mais tarde pudessem utilizar como moradia.

Três milhões de anos de cooperação

Para garantir o sucesso do plantio de suas casas, as formigas vigiam as plantinhas em regime de turnos, e as adubam com excrementos e urina. Além disso, não plantam as sementes na casca de qualquer árvore, só nas apropriadas à futura habitação.

Desse modo, as plantas de café vão parar na copa de determinados gigantes tropicais, ficando, assim, mas próximas da luz. Quase como num gesto de gratidão, as plantas desenvolvem câmaras ocas, onde a formiga-rainha reside e são criadas suas larvas.

A dupla de pesquisadores de Munique constatou que as formigas plantam seis diferentes espécies de cafeeiros. Também espantoso é a espécie Phildris nagasau e essas espécies terem exatamente a mesma idade, 3 milhões de anos.

“Isso é realmente incrível: essa espécie de formiga cultivou seis diferentes espécies vegetais”, admira a botânica alemã. Hoje, a proliferação desses tipos de café específicos é inteiramente dependente da ação dos insetos.

Descoberta acidental

Segundo Renner e Chomicki, o comportamento das formigas das ilhas Fiji é, no máximo, comparável ao de outros insetos sociais, como abelhas ou térmites, pois exige cooperação.

A simbiose entre formigas e outros animais ou plantas não é novidade. Algumas vivem em determinadas plantas, defendendo-as contra os inimigos naturais. As saúvas da América do Sul cultivam fungos nutritivos em seus ninhos subterrâneos, usando como substrato as folhas que coletam.

Outras se alimentam das secreções doces de certas lagartas, em troca de proteção. Também na Europa existem formigas “pecuaristas”, que defendem os pulgões contra o ataque das joaninhas, igualmente se alimentando das secreções que “ordenham”.

A diferença em relação à espécie de Fiji é que estas cultivam plantas ativamente. Essa revelação tornou ainda mais valiosas as horas passadas nas copas das árvores tropicais: originalmente, os pesquisadores da LMU pretendiam estudar a evolução da interação entre formigas e vegetais. “Mas que a cooperação fosse tão específica assim, foi antes uma descoberta acidental”, revela Susanne Renner.

Fonte: Terra

Formigas plantavam as suas próprias culturas de fruta muito antes dos humanos

A formiga do Fiji começou a plantar as suas próprias culturas de frutas há 3 milhões de anos, muito antes da evolução da agricultura humana. A formiga – Philidris nagasau – planta e colhe o fruto Squamellaria, que cresce nos ramos de várias espécies de árvores.

Primeiro, as formigas inserem as sementes da planta do fruto na casca da árvore. Os locais de plantio são constantemente “observados” e fertilizados pelos insetos. À medida que as plantas crescem, são formadas estruturas redondas e ocas à sua volta, onde as formigas vão acabar por habitar, ao invés de construir os ninhos. Quando a fruta nasce, as formigas comem o pomo e coletam as sementes para a agricultura futura.
Guillaume Chomicki e a sua equipa de investigação descobriram que cada colónia de formigas cultivava dezenas de plantas Squamellaria ao mesmo tempo, com caminhos que ligavam cada centro da cultivação.

GUILLAUME CHOMICKI, UNIVERSIDADE DE MUNIQUE

Os investigadores da Universidade de Munique na Alemanha descobriram ainda que este tipo de planta é completamente dependente das formigas, que plantam e fertilizam as sementes.
Ao mesmo tempo, as formigas Philidris nagasau não conseguem sobreviver sem a comida e o abrigo provido pelas plantas. O fenómeno de Fiji é o primeiro exemplo de formigas que plantam de uma maneira mutuamente dependente.
São poucas as outras espécies que plantam a sua própria alimentação. Por exemplo, o caranguejo Yeti – Kiwa hirsuta – cultiva bactérias nas suas próprias garras e as preguiças plantam jardins de algas no seu pelo.
Fonte: SIC Notícias

Aumentam as pragas, aumentam também as doenças

As pragas urbanas como ratos, mosquitos, baratas, cupins, escorpiões, carrapatos, formigas e outros bichos aparecem sempre em maior incidência nos períodos mais quentes.

Esse grande incômodo acontece em lugares com facilidade de acesso a comida, água e proteção para as pragas. E o que deve ser dito a respeito dessas pragas é que, além causarem desconforto e prejuízos materiais em casa ou no trabalho, são também vetores de várias doenças perigosas para nossa saúde e a de nossa família.
O aumento da proliferação também está relacionado com o ciclo de vida dos animais. Eles não conseguem manter a temperatura do corpo deixando as atividades de busca por alimento e reprodução para o calor. As baratas e formigas são um exemplo disso. Mas tudo isso não livra de culpa o ser humano. O desequilíbrio do meio ambiente desencadeado pela ação degradante das pessoas causa uma defasagem nas necessidades de toda a cadeia.
O problema da proliferação de pragas é uma questão séria nos meios urbanos, mas ainda assim, há cuidados que podemos ter para evitar maiores problemas tais como manter as lixeiras sempre bem vedadas, manter terreiros limpos, guardar alimentos devidamente e, o mais importante, contratar uma empresa confiável e qualificada para manter dedetização da sua casa ou empresa em dia.   

FORMIGAS – ATÉ QUE PONTO ESSES INSETOS DEVEM SER COMBATIDOS?

Texto do Biólog Insetan José Júnio Silva
 
Com exceção dos círculos polares o número de insetos é expressivo em todo mundo,
mas para muitos essa informação ainda é pouco conhecida. As formigas está entres
os insetos mais populares entre as pessoas, isso porque frequentemente encontramos
elas “passeando” sob mobiliário, utensílios, eletrodomésticos, etc. Estudos estimam
que as formigas apesar de pertencerem a uma única família (Hymenoptera)
representam entre 30 e 50% da biomassa animal de toda floresta amazônica, além de
apresentarem cerca de 13.000 espécies distribuída em todo mundo.
Todas as formigas, assim como algumas vespas, abelhas e cupins são insetos
eusociais, isto é, apresentam divisão de trabalho em sua colônia, assim é possível
observar indivíduos que trabalham na manutenção e proteção da colônias, indivíduos
que cuidam da prole e indivíduos jovens que cuidam dos indivíduos mais velhos.
Algumas formigas adaptadas a viver nos ambientes urbanos provocam desde
incômodos através de picadas até agravos a saúde, uma vez que transportam
passivamente microrganismos em seu corpo. Diversos estudos relacionados a
mirmecofauna (fauna de formigas) apontam que elas desempenham diversas funções,
como dispersar sementes, reciclar nutrientes e herbívoria da vegetação. Quando
instaladas em residências, industrias, comércios e hospitais as formigas provocam
prejuízo econômico pois comprometem mobiliários, danificam eletrônicos e atacam
matéria prima além de atuar passivamente como agente veiculador de
microorganismos patogênicos.
O controle de formigas varia de acordo com a espécie envolvida, do tipo de infestação
e da localização do ninho. A identificação da espécie auxilia no controle e facilita o
encontro do ninho. Uma vez localizado o ninho, este pode ser eliminado com o uso de
inseticida líquido ou aerossol convencional.
Quando constatado a presença das formigas essas devem ser controladas
rapidamente por profissionais treinados, pois a inexperiência pode aumentar o nível da
infestação. Matar as formigas, que são vistas forrageando, com inseticidas em forma
de aerossol dificilmente resulta em bons resultados; ao contrário, na maioria das
vezes, propicia a fragmentação das colônias provocando aumento da infestação.
Iscas atrativas compostas de inseticida produzem ótimos resultados; no entanto, o
ingrediente ativo deve ter baixa concentração e não deve matar por contato. O objetivo
destes produtos é que as formigas operarias carreguem a isca e depois, distribuam
para os demais membros da colônia.
Alguns cuidados podem ser tomados a fim de se evitar a presença das formigas, tais
como: não deixar migalhas de doces, pães e biscoitos pelo chão, fechar bem os
alimentos, eliminar fendas e frestas as quais podem ser utilizadas como ponto de
nidificação.
 
 
Referências:
Zarzuela M. F. M., Ribeiro M. C. C., Campos-Farinha A. E. C. Distribuição de formigas
urbanas em um hospital da Região Sudeste do Brasil. Arq. Inst. Biol. 69 (1): 85-7.
2002;
BACCARO F. B. et. al. Guia para os gêneros de formigas do Brasil. Editora INPA,
Manaus, 2016.
Bueno O., C., Campos-Farinha., A E C (1998) Formigas urbanas: comportamento das
espécies que invadem as cidades brasileiras. Rev. Vet. Pragas 2: 13-16.

Quando a formiga é maior do que se pensa

Entre uma formiga e um homem existem mais semelhanças do que as pessoas podem imaginar. A forma de organização dessas pequenas criaturas antecipa em alguns aspectos princípios sociais da nossa sociedade. swissinfo.ch encontra o biólogo evolucionista e especialista em formigas, que acaba de receber o renomado prêmio científico Marcel Benoist de 2015. 
 
Talvez devêssemos parar para refletir antes de esmagar uma formiga com a mão. Pois através da observação de formigas é possível aprender algo sobre nós mesmos. Nós podemos identificar determinados modos de comportamento e formas de interação. “No que diz respeito ao comportamento social, as pessoas vão no mesmo caminho das formigas”, diz Laurent Keller, diretor do Instituto de Ecologia e Evolução na Universidade de Lausanne.
Laurent Keller sabe do que está falando. Há trinta anos ele observa formigas, tanto na natureza como em laboratório. Ele queria, na verdade, pesquisar primatas quando jovem, mas mudou de ideia ao assistir uma palestra sobre formigas. “Eu fiquei fascinado pela evolução de sua organização social”, revela Keller. Nós nos encontramos em seu escritório na Universidade de Lausanne.
O pesquisador suíço é um dos mais reconhecidos mirmecólogos, a ciência que se ocupa do estudo específico das formigas, e publica em renomadas revistas científicas. Uma questão lhe ocupa até hoje: como uma pequena criatura, com um cérebro de uma estrutura tão simples, conseguiu se adaptar socialmente ao seu meio ambiente e ocupar, dessa forma, quase todos os espaços no planeta, do Saara até as regiões mais frias?

70 milhões de anos

No reino animal, as formigas pertencem ao grupo mais importante dos organismos. Doze mil espécies foram identificadas. Segundo Keller, elas ajudam a melhorar a qualidade do solo, facilitam a disseminação de sementes e eliminam parasitas e organismos mortos. Seu peso total chega a corresponder a dez por cento da biomassa de todos os seres vivos no planeta. “Apenas os seres humanos têm uma biomassa comparável”, esclarece Keller.
A chave para o sucesso das formigas reside na cooperação. “As formigas conseguiram modificar o seu meio ao construir ninhos complexos no solo ou nas árvores. Graças ao seu modelo de divisão de trabalho, elas podem aumentar a produtividade do grupo. Além disso, também desenvolveram formas de reduzir os conflitos e restringir a disseminação de parasitas entre elas”, afirma o pesquisador. “Existem até as formigas-policiais, capazes de eliminar as formigas associais, capazes de prejudicar o funcionamento da colônia como um todo, devido ao seu caráter egoísta, por exemplo.”
Segundo Laurent Keller, esses são comportamentos também encontrados na espécie humana. “Nós, seres humanos, formamos o nosso meio ambiente como ao construir cidades para nos proteger da natureza e predadores. A divisão de trabalho permite a especialização, capaz de aumentar a nossa produtividade.”
Existem muitas e, por vezes, surpreendentes analogias no comportamento das formigas e seres humanos. É difícil imaginar que algumas das mais importantes descobertas da humanidade foram feitas por essas criaturas com um tamanho de apenas alguns poucos milímetros há tanto tempo, ou seja, 70 milhões de anos.

Também formigas têm suas “vacas”

As colônias de formigas podem ter até sete milhões de membros. “Para garantir a alimentação, as formigas desenvolveram a agricultura e pecuária”, conta Keller. Algumas espécies plantam cogumelos e controlam o seu crescimento através de enzimas. Elas criam pulgões, que podem ser transportados de uma árvore à outra. As formigas alimentam-se do melaço produzido por elas, um suco açucarado rico em aminoácidos. Em caso de emergência elas alimentam-se dos pulgões. “Como os seres humanos com suas vacas: eles bebem o seu leite e comem também a carne”, explica o pesquisador.
Também a forma de comunicação, assim como as estratégias para encontrar alimentos, são uma fonte de inspiração para os cientistas. “Existem programas de informática que foram desenvolvidos através da observação do comportamento das formigas. Eles são capazes de resolver ‘os problemas de viajantes de negócios, ou seja, ajudar a encontrar o caminho mais rápido para alcançar uma série de diferentes objetivos.”
A longevidade dessas pequenas criaturas é um dos aspectos mais interessantes na pesquisa de formigas para os biólogos evolucionistas da Universidade de Lausanne. Algumas espécies podem chegar até os trinta anos. “É cem vezes mais do que a idade média dos insetos”, ressalta Keller.
As rainhas são protegidas pelas operárias, o que diminui o risco de ela ser atacada. Essa forma protegida de vida permitiu criar mecanismos capazes de retardar o processo de envelhecimento. Segundo Laurent Keller, “trata-se de um bom modelo, que ajuda a compreender o processo de envelhecimento dos seres humanos.”
O biólogo de 54 anos, imaginativo e um pouco excêntrico – e isso não vale apenas para sua camisa verde chamativo – quis explodir as fronteiras da biologia com as suas pesquisas. Em cooperação com a Escola Politécnica Federal de Lausanne ele investigou programas de computador baseados no comportamento das formigas. “Descobrimos que os princípios de uma seleção natural são ativos também entre os robôs. Juntos, esses computadores são muito mais potentes do que funcionando sozinhos”, conclui.

Facebook das formigas

Lauren Keller foi o primeiro pesquisador a decifrar o código genético da formiga de fogo (Solenopsis invicta). “Foi possível descobrir um ‘cromossomo social’, que explica porque algumas colônias têm apenas uma rainha, enquanto outras dispõem de várias”. Em sua opinião, a descoberta pode ser útil na luta contra os insetos, que geralmente vivem em gigantescas colônias e causam grandes danos à agricultura nos Estados Unidos, Austrália e China.
Laurent Keller concentra suas pesquisas – junto com os estudos sobre a longevidade dos insetos – na divisão do trabalho nas colônias. Assim um scanner registrou durante quarenta e um dia como funciona a interação em uma colônia, ou seja, como e quando algo é feito. “É uma espécie de Facebook das formigas”, diz Keller.
Os primeiros resultados dessas pesquisas foram publicados em 2013 na revista Science. Através deles, o pesquisador conseguiu provar que as tarefas das formigas se desenvolvem ao longo do tempo. “As formigas mais jovens cuidam dos ovos postos pela rainha; as mais velhas se ocupam da limpeza no formigueiro e em encontrar alimentos”, conta. “Agora é preciso descobrir como e por que os processos da forma como foram identificados.
Laurent Keller está convencido que as formigas representam um modelo ideal para compreender a evolução da vida em sociedade. “Se não quisermos voltar a cair em um estágio obscuro da ciência, é preciso conhecer em detalhes o processo evolutivo. Isso vale tanto para os seres humanos como também para as formigas.”
Adaptação: Alexander Thoele, swissinfo.ch
 
Fonte: SWI 

Por que as formigas desapareceram de região no sul da Argentina

E, com a ameaça do aquecimento global causado pelo homem com a emissão em grandes quantidades de gases do efeito estufa, plantar árvores parece ser a “estratégia perfeita”: mais árvores significam mais absorção de CO2 que, por sua vez, geram menos aquecimento.
Mas alguns pesquisadores alertam para a importância de se observar o ecossistema de cada região antes de optar pelo plantio desenfreado de árvores. Em uma região da Patagônia, no Sul da Argentina, por exemplo, as formigas desapareceram justamente por causa de um desequilíbrio no sistema causado pelo florestamento (plantio de árvores em região em que não havia floresta).
“Nas zonas áridas, onde substituíram a vegetação de estepe pelo plantio de árvores, observamos que os artrópodes do solo diminuíram”, disse Adelia González Arzac, bióloga e doutora em Ciência Agropecuária.
No sul da Argentina, a poucos quilômetros de San Martín de los Andes, na província de Neuquén, foram plantadas árvores tanto em lugares áridos, como em úmidos. Esse tipo de florestamento não planejado permitiu a Amy Austin, pesquisadora do Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas da Universidade de Buenos Aires, e a sua equipe estudar o impacto disso em ecossistemas a longo prazo.
“O que vimos é que plantar espécies exóticas tem um efeito sobre todos os aspectos do funcionamento dos ecossistemas”, disse a pesquisadora.
“Vimos mudanças na produtividade primária (isto é, no crescimento das plantas nativas), alterações na abundância da fauna do solo, nas cadeias alimentares, na decomposição e reciclagem do carbono, e não sabemos quais serão as consequências dessas mudanças”, completou.
O que Austin e Arzac conseguiram observar nesse tempo foi uma diminuição considerável da presença de formigas nesta região da Patagônia.
“Diminuiu abruptamente a abundância desses organismos (artrópodes) nessas regiões de reflorestamento e quase desapareceram alguns grupos específicos como os solifugae, que são artrópodes predadores, e as formigas”, explicou Arzac.
“Esse tipo de plantações geralmente traz formigas mais exóticas que vivem com essas espécies e acabam invadindo e dominando a biodiversidade natural.”
“Mas aqui aconteceu o contrário e não sabemos por quê. Pode ser que tenha sido por causa da sombra que as árvores criam ou pelas mudanças na química do solo. Isso é algo que ainda vamos estudar”, diz.

Importância

O desaparecimento das formigas pode parecer algo pouco relevante, mas elas cumprem funções essenciais nos ecossistemas – como a reciclagem de nutrientes, segundo as pesquisadoras. “Além disso, elas afetam a dinâmica da vegetação, dispersando as sementes e ainda ajudam a regular outras populações de insetos”, diz Arzac.
Fazendo uma análise mais cautelosa, Austin classifica esses efeitos como indesejados – em vez de negativos – já que ainda não houve estudo mais profundo sobre o verdadeiro impacto dessa florestamento.
No caso da Patagônia argentina, os programas de florestamento foram iniciados nos anos 1970. Naquele momento, o Estado estimulava essa atividade para aumentar a produção de celulose e papel.
E ainda que as árvores analisadas pelo grupo de Austin não tenham sido plantadas com a intenção de captar CO2, elas representam um bom caso de estudo, justamente por sua idade de quase quatro décadas. Nesse período, elas passaram por diferentes experiências de precipitações, já que algumas foram plantadas em zonas áridas, tais como pastagens, e outras em lugares de floresta nativa.

Cautela

Nesse sentido, Austin põe em xeque a estratégia do plantio de árvores com o objetivo de reduzir o CO2 da atmosfera. Ao menos no caso da Patagônia, onde houve florestamento com pinheiros espaçados por onde não havia árvores.
“Como estratégia para diminuir o carbono, a ação não teve muito sucesso, pelo menos nesse ecossistema local”, explica a cientista.
O problema dos pinheiros é que eles soltam muitas pinhas e essas folhas secas têm muitos compostos que não se dão com os organismos que vivem no solo. Assim, as folhas demoram mais para se decompor na terra.
Isso significa que esse acabou não sendo o mecanismo mais eficiente na hora de tirar o carbono da atmosfera. Por isso, no caso da implementação dessa estratégia na Patagônia, “os custos superam os benefícios.”
Mas o que aconteceria se essas árvores fossem cortadas? “Ainda não sabemos se os ecossistemas poderiam voltar ao que eram antes”, disseram as pesquisadoras.
“Não quero dizer categoricamente que reflorestar é bom ou ruim, mas a minha mensagem é que quando o foco disso é centrado unicamente em diminuir a quantidade de carbono no ecossistema, perde-se a perspectiva sobre os efeitos colaterais disso”, diz Austin.
Se a ideia é plantar árvores com esse fim, é uma estratégia que precisa ser implementada com cuidado, alerta a pesquisadora.
Fonte: BBC

Estudantes chineses mapeam formigas em todo o mundo

Pela primeira vez, biólogos e entomologistas poderão contar com um mapa que mostra a distribuição de mais de 15 mil tipos de formigas ao redor do mundo. O mapa interativo já está disponível online.
Com informações de Universidade de Hong Kong e impala.pt
Foram mais de quatro anos de pesquisas intensas para que o mapa colorido e interativo saísse dos projetos e se fosse publicado em um site. No banco de dados dos pesquisadores, são mais de 15 mil tipos de formigas e descobertas como as que levaram o estado de Queensland, na Austrália, a ter o maior número de espécies nativas do mundo (1400).
“As formigas são muito importantes na maioria dos ecossistemas”, disse Benoit Guenard,  um dos cofundadores do mapa e professor de Ciências Biológicas da Universidade de Hong Kong (HKU). “Quando falamos de biodiversidade, os insetos são um dos principais grupos em que precisamos de nos focar”, acrescenta.
MAPA FORMIGA MINAS
O mapa fornece um importante registro da vida dos insetos no mundo e irá ajudar na investigação e conservação da vida animal.
Apesar de já publicado, o pesquisador garante que o trabalho de mapeamento das espécies de formigas continua, uma vez que novas descobertas são feitas frequentemente.
Em novembro do ano passado, por exemplo, pesquisadores da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), publicaram um estudo que mostrava a descoberta de uma nova espécie de formiga. O estudo, que foi divulgado também aqui no blog da Insetan, mostra que a nova espécie se fazia passar por outro tipo de formiga com aspecto semelhante, para “se aproveitar” do abrigo e alimentação.
 
FORMIGUEIRO
 
O mapa das formigas, como é chamado (Antmaps) é um projeto conjunto da Universidade de Hong Kong e do Instituto de Ciências e Tecnologias de Okinawa, consegue diferenciar as formigas que são nativas de uma região e as espécies que foram importadas. “Elas são muito importantes na maioria dos ecossistemas”, afirma Guenard, uma vez que consegue atuar no subsolo, transportando nutrientes do solo e ajudando na dispersão de sementes.
 
Além disso, “o mapa também auxiliará biólogos e ambientalistas na abordagem da questão do quão bem estamos protegendo estes insetos em determinadas regiões”, explicou à Agência France Presse (AFP).