Mais de um ano se passou desde que havia ganhado o pequeno rádio do avô. O radinho não era mais novo. E agora, depois de tanto tempo acostumado com as maravilhas dos aplicativos de música, encontrou o presente num canto puído do guarda-roupas. E como quem quer reparar o tempo, decidiu romper o lacre e usá-lo nem que fosse para evocar uma recordação.
Abriu a caixa, se livrou do resto de papel dourado que a envolvia, consumiu o plástico-bolha. Colocou aquela caixa movida a pilhas no criado-mudo ao lado do abajur. Cogitou enfrentar as 200 páginas do manual, uma vez que esquecera como funcionava tudo o que fosse analógico, mas desistiu. Melhor colocar logo para funcionar.
Demorou para conseguir sintonizar uma estação. Parecia que o rádio não havia resistido ao tempo, mas tentou ainda mais. Encontrou mais algumas estações, das mais legais às mais estranhas. Mas, dentre todas, algo em comum chamava a atenção: um zunido muito alto se embolava às canções e à voz do locutor.
Depois de muito verificar, pesquisar e investigar o motivo daquele “zuuum” tão insistente, decidiu que o melhor a fazer era seguir para a loja de onde ele saiu, trocar, pedir o dinheiro de volta ou qualquer outra coisa que o livrasse daquele barulho horrível. Mas nada saiu como o esperado. Próximo ao balcão, achava-se o funcionário mais famoso da Insetan: o Exterminador, que ao ouvi-lo falar do problema do rádio para o técnico, logo disparou:
Amigo, seu rádio não tem problema nenhum. Deixe que eu cuido dessas moscas que entraram nas caixas.

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