Zumbidos e fantasmas

Zumbidos e fantasmas

Saiu até no jornal:  uma casa no interior de Minas era terrivelmente assombrada durante a noite. O dono dela, um velhinho atarracado e de nariz adunco, não se assustava. No início, achava até mesmo curioso, interessante, sua velha casa ganhando ares de thriller. Uma lugar que, ao cair da noite, zumbia alto, deixando o som fantasmagórico atravessar suas paredes.

Mas o que antes era apenas um pequeno conto de terror a despertar o interesse dos curiosos, se transformou no tormento pessoal do pobre velhote. Não havia sequer uma madrugada em que não sentia as costas estalarem, as olheiras aparecerem, o estômago embrulhar, os ouvidos se inquietarem e o sono partir sem retorno. E depois de meses assombrado pelos zumbidos, o cansaço o venceu.

Começou por recorrer ao padre da igrejinha da vila. Este, munido de água benta, crucifixo e um pergaminho de cântigos, nada resolveu. O velhinho então partiu, esperançoso, a acreditar na promessa de dois rapazes recém-chegados na vila com seus instrumentos mirabolantes. A dupla se denominava caça-fantasmas, entretanto, os rapazotes só serviram mesmo para esvaziar a geladeira da casa. O jeito era apelar para a anciã do vilarejo, famosa por possuir poderes mediúnicos. Mas ao ouvir os zumbidos, a charlatã só foi capaz de correr, aos gritos, pela porta afora. Nada adiantou. Isso explicava o desânimo com o qual atendeu a porta naquela noite de quarta-feira. Do lado de fora, o Exterminador explicava que chegou até ali ao ler uma matéria no jornal local. Convidado a entrar, deu uma volta pela pequena casa, retornou à sala onde o velhinho esperava e disse:

– Como eu previa. Não é tão comum à noite, mas eles vêm.
Foi até o carro estacionado em frente  e voltou segurando uma grande tampa de plástico.
– É para a lata de lixo. Assim destampada, não há mosca zumbidora que resista. – Explicou o Exterminador enquanto olhava o velhinho sorrir.

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