O quibe, o ovo

O quibe, o ovo

Depois de uma semana inteira de trabalho duro, nada mais convidativo que uma rodada num bar. Foi com esse pensamento que o Exterminador se encontrou num sábado à noite. Sedento que estava de um momento para provar os drinks dos pub`s da vizinhança, saiu de casa em busca de um bar que lhe despertasse a vontade de entrar sem hora para voltar. A semana tinha sido intensa, pensava, e por mais que amasse a profissão com todas aquelas dedetizações, não deixava de apreciar, porém, uma noite só para relaxar.


Andou pela avenida principal. Nada além dos mesmos bares, dos mesmos garçons, das mesmas pessoas. Se queria mesmo descansar, teria de sair dali, procurar novos caminhos para conhecer. Iria para a parte baixa da cidade, decidiu. O lugar conhecido pelos botecos minúsculos, de onde todas as melhores histórias de bares saíam e percorriam o resto da vila. Naquele momento, era o queria e precisava. Uma aventura noturna no canto mais movimentado e boêmio que já ouvira falar.


Ousou entrar num emaranhado de ruelas úmidas e mal iluminadas. Parecia um mundo à parte, em plena decadência. Aos olhos do Exterminador, entretanto, toda aquela atmosfera tinha lá o seu charme. Parecia que ele havia entrado num dos quadrinhos de Sin City. Pensando bem, era quase emocionante estar ali. Havia mistério e um clima de cinema antigo no ar. O Exterminador se deixou levar por todo aquele romantismo.


Seguiu por um beco estreito até se deter em frente a uma pequena porta de madeira. Lá dentro havia luzes, muita conversa e cheiro de comida. Decidiu entrar e, ao contrário do que imaginou, o lugar era bem grande. Resolveu que ficaria por ali mesmo. Quando terminou de observar tudo em volta e voltou em si, percebeu que estava morrendo de fome. No balcão, um quibe dentro da estufa atraiu sua atenção. Foi até lá e cumprimentou o barman. O homem, sorridente, pareceu o reconhecê-lo em vista do jeito efusivo com que retribuiu o “boa noite”.
– Que bom que você veio até aqui!- emendou.
O Exterminador, no entanto, não tinha disposição para aquela conversa. Seu estômago roncava.
– Esta noite não estou em serviço. Só preciso que você me venda aquele quibe – respondeu.
– Ah! Esse é o problema. Isto não é um quibe. – Foi então que o homem sacudiu a estufa e uma nuvem de mosquitos saiu pela fresta do vidro. Para espanto do Exterminador, não era mesmo um quibe e sim um grande ovo de galinha cozido.
Seu estômago embrulhou. Não estava mais com fome.

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