Modernidade.

Modernidade.

Felipe estava procurando uma experiência diferente. Agora que estava de férias, queria gastar o tempo pesquisando e descobrindo novos estilos de vida. Queria deixar a rotina, transformar seu dia a dia, conhecer pessoas descoladas, livres, diferentes, mais sintonizadas com seu novo modo de ver o mundo: inovador. Foi numa dessas que decidiu seguir as sugestões de Ivana, sua amiga dada ao misticismo, astrologia, esoterismo, tudo o que uma vida moderna e alternativa pode oferecer para um espírito sedento por mudança. Disse a amiga que havia um lugar novo na cidade, que todos estavam comentando. Ela mesma ainda não tinha ido conhecer, mas que ele deveria tentar. As pessoas voltavam de lá renovadas, encantadas com o modo exótico do ambiente e tudo o mais. Sem pensar duas vezes, Felipe seguiu para o endereço que a amiga havia lhe escrito na mão direita com uma caneta cor-de-rosa.

Quando chegou, teve a visão verdadeira do que poderia ter sido um festival de música alternativa dos anos 70. Muitas pessoas se jogavam pelo chão, pelos cantos, segurando seus pertences frouxamente nas mãos. Não precisou de muito tempo para notar o que o lugar tinha de tão diferente. Aparentemente, era uma casa comum, mas logo se percebia que não havia móveis. Nenhuma mesa ou cadeira, estante, nada. Era incrível.  

Olhou em volta para escolher um lugar para se largar e relaxar. Mas antes que pudesse fazer isso, viu um senhor muito agitado surgir pela porta da frente, atravessar o jardim e ir encontrar com o Exterminador, que descia do carro na mesma hora. Devia ser o dono da casa. E se estava tão preocupado, havia algo errado. Felipe decidiu segui-lo. O senhor foi logo dizendo:

– Não sei o que fazer, Exterminador. Essas pessoas continuam chegando em minha casa e se deitando no chão. Acham que é algum lugar moderno. Mas a verdade é que eu estou com uma infestação de cupins. Eles comeram todos os meus móveis.

Felipe e o Exterminador não puderam deixar de rir.

Deixe seu comentário

- 7 = 2