CONFISSÕES DE UM EXTERMINADOR DE PRAGAS

CONFISSÕES DE UM EXTERMINADOR DE PRAGAS

Vou confessar uma coisa pra vocês: não entendo nada de moda. Combino listrado

com xadrez, não sei quais sapatos vão cair bem com minha bolsa, quase nunca sei

quais cores usar e, cá pra nós, este meu bonezinho já está bem desbotado. Mas perto do que vi, até que não estou lá tão mal assim.

 

Quando alguém contrata um serviço de dedetização, o guarda-roupa vira assunto meu. Pelo menos por um tempo. Da importância de deixar o armário vazio para que o serviço seja feito corretamente e evitar dor de cabeça depois, você já sabe. Mas acabei descobrindo que, num caso especial, esta simples ação poderia evitar outro tipo de dano: a dos meus olhos.

 

Aconteceu em mais um daqueles dias em que eu saía da Insetan contente. “Mais um dia de trabalho, mais alguma casa ou empresa livre de pragas urbanas” pensei. E parti para o primeiro atendimento de uma longa jornada. O primeiro, sempre ele, responsável pelas maiores surpresas, trouxe desta vez um armário ainda cheio. Cliente distraído que não aprendeu a regrinha de outro: exterminador em casa, armário vazio. Tudo bem, não custa ajudar.

 

A partir daí, amigos, tudo que parecia normal veio abaixo, enquanto o ar contido

subia até a boca, pronta para explodir em gargalhadas. Das duas pequenas portas

de madeira saíam de tudo: uniformes bizarros, perucas de todas as cores, roupas de mergulho para dias de chuva, biquini costurado por cima do vestido para dias de sol, réplicas de animais para servir de cachecol, um museu de blusas com ombreiras e a década de 70 inteira.

 

Vou confessar mais uma coisa: enquanto tirávamos as roupas do armário, parecia que ele também esvaziava de toda cafonice do mundo.

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