Alerta máximo

Alerta máximo

Finalmente, resolveu aceitar o convite dos pais. Iria visitar a cidade natal dos avós, o que valia por um tour pelas origens da família. Era uma chance de revistar lembranças, rever velhos e novos rostos, conhecer a própria história. Um pouco esquecido de como era a cidadezinha que visitou uma vez apenas na infância, tentou imaginar como estaria tudo.

Pequenas fazendas cercadas por arame farpado, cafezais rodeando tudo, vacas, bodes e cavalos amassando a terra. Era o que imaginava. Sendo assim, munido pela expectativa dos cenários bucólicos da infância dos avós, partiu para o sertão para encontrar os tios que não via há muito.

Mas, ao cruzar o portão de entrada da cidade, todas as imagens de bosques, ranchos e granjas desabaram em sua mente. No lugar disso, viu ruas sinalizadas, semáforos mudando de cor, carros buzinando furiosos, pessoas apressadas entrando em prédios. Os tios, parados à porta da rodoviária, receberam-no apreensivos. Assim que chegara, “uma coisa terrível” aconteceu em outro canto, foi o que o tio contou.

No caminho para a, agora moderna e automatizada, casa dos tios, ouvia-se uma sirene soar cada vez mais alto. À medida que se aproximavam do centro, via pessoas com os rostos aterrorizados, os rádios dizendo, afoitos, algo incompreensível, tamanho o nervosismo dos locutores. Era o caos. Então, vendo o próprio nervosismo aumentar dentro de si, deu o primeiro passo para quebrar o gelo:

– Err..tia, o que aconteceu? – perguntou.

– Ah! Algo terrível, querido. É um milagre que você esteja aqui. – respondeu a tia.

– Um milagre! Um milagre! Bem na hora! – disse o tio, olhando o retrovisor.

E ao ver o rosto confuso do Exterminador, a tia logo esclareceu:

– Uma barata, vista durante o dia num escritório do centro. Alerta máximo.

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