A vencedora.

A vencedora.

Com uma revista nas mãos, Sarah permanecia imóvel no sofá enquanto Victor e Carlos apostavam: uma semana livre de tarefas domésticas para quem acabar de vez com os roedores com os quais dividiam o apartamento. Desde que descobriram os invasores, tentaram de tudo. Muitos produtos foram ineficazes, muitas iscas falharam, muitas ideias foram insuficientes, mas desta vez, eles prometeram, desta vez eles expulsariam logo os roedores.

De fato, não estavam para brincadeira. Dizer que a caça que empreenderam era exagero seria falar pouco sobre tudo aquilo. Victor trouxera uma caixa enorme, Carlos, um saco de um tamanho que também não deixava a desejar. E o arsenal que os dois colocaram dentro de cada bagagem fez Sarah virar o pescoço. Victor arranjou uma arma de longo alcance, mirava o canto debaixo do sofá enquanto Carlos desembrulhava um estilingue do tamanho de uma cadeira. Victor tirou da caixa um porrete, uma rede de pescar, uma raquete gigante, um canhão, um mestre samurai e um lutador de MMA. Carlos posicionava uma bazuca com dificuldade.

– Dessa vez não tem erro. – disse Carlos diante de um Victor eufórico e uma Sarah indiferente demais visto a situação em que se encontravam.

Os dois passaram a tarde discutindo com entusiasmo as complexas estratégias que pretendiam usar, falavam sobre uma casa livre de roedores e, por fim, sobre quem venceria a aposta. Cada um tinha para si a certeza de que iria vencer.

– Os pratos brancos ficam na prateleira de cima – disse Sarah, de repente, como se vivesse num universo paralelo onde todas aquelas armas pareciam não existir.

– O que disse? – perguntou Carlos.

– Estou dizendo onde ficam os pratos brancos já que vocês sempre os misturam com os copos – tentou explicar virando as páginas da revista.

Quando ela terminou de falar, a campainha tocou. Sarah finalmente se levantou do sofá e foi atender. Alguns segundo depois o Exterminador entrava na sala. Então, ela se voltou para os dois para dizer:

– Já que eu vou ganhar a aposta.

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