A R A C N Í D E O

A R A C N Í D E O

Miguel precisava entrar no quarto, mas não conseguia. Entre o teto e a parede junto à porta, havia uma enorme tarântula a caçar insetos. Ela se movia pouco, aos pulinhos, mas qualquer mínimo movimento assustava o garoto. Tinha medo que ela pulasse sobre os móveis, fosse para a cama, andasse pelo chão, que o perseguisse. Naquele momento de pavor, a imaginação ia longe.

Por muitas vezes, quando se está morrendo de medo, os pensamentos parecem fugir. Perdemos a capacidade de encontrar soluções. E foi o que acontecia com o pequeno Miguel, que só conseguia lamentar pelos brinquedos que tanto queria, mas não conseguia tirar do quarto.

Depois de muito pensar e imaginar soluções mirabolantes para se livrar da aranha, se lembrou do óbvio: o número da Insetan estava salvo no celular da mãe. A sorte é que ela nunca se lembrava de colocá-lo na bolsa ao sair. Pouco depois do chamado pelo whatsapp, o Exterminador respondeu. Enquanto pedia socorro, voltou à porta do quarto para vigiar os movimentos da aranha.

– Ela é gigante! – teclou Miguel, tremendo.
– Fique calmo, Miguel.
– Não consigo, estremeço só de olhar para esse inseto!

De repente, a aranha desceu da parede e se aproximava rapidamente de Miguel. O garoto ficou paralisado com o celular na mão. Simplesmente não conseguia se mexer. A aranha subiu pela sua mão e alcançou o celular.

Parecia uma cena de desenho animado: a aranha pôs-se a teclar.

“ Inseto, não. A R A C N Í D E O”  

Foi o que escreveu

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