Projeto capacita estudantes para combater o mosquito Aedes aegypti

Projeto capacita estudantes para combater o mosquito Aedes aegypti

Há quatro anos, os casos de dengue em alunos e moradores no entorno do Colégio Estadual Tereza Helena Mata Pires, no Alto do Cabrito, chamaram a atenção. Diante da situação, a professora de ciências Nilza Sodré pensou em um projeto para combater o mosquito Aedes aegypti.

Nesta sexta-feira, 2, Dia Nacional de Combate ao Aedes, quando todo o país foi alvo de ações de conscientização, os alunos dedicaram a data para expor resultados dos trabalhos desenvolvidos, como ‘mosquitoeiras’ e cordéis sobre o combate ao inseto transmissor de doenças como dengue, zika e chikungunya.

Na unidade, estava prevista a visita do ministro da Saúde, Ricardo Barros, para conhecer a experiência do combate ao mosquito na unidade. No entanto, ele não compareceu. O motivo não foi informado.

Projeto

Segundo a diretora da unidade, Maria das Dores Fontes, os professores de diferentes disciplinas passaram a lançar mão de recursos como vídeos, palestras e pesquisas para motivar os alunos. A ideia é que cada um deles possa multiplicar o que aprendeu na comunidade.

Maria das Dores contou que o tema central do projeto pedagógico deste ano no colégio foi o combate ao mosquito. “Todos os professores se engajaram. É um trabalho de conscientização dos alunos e de mudança de comportamentos deles e das famílias”, disse.

A diretora destacou que o balanço das ações tem sido positivo e que os alunos relatam na sala de aula que passaram a ficar vigilantes. “Eles não deixam lixo acumulado e já se tornou rotina fazer vistoria na casa em que moram e nas dos vizinhos”, frisou.

O êxito da iniciativa foi reconhecido este ano, quando a escola foi uma das escolhidas pelo programa estadual Ciência na Escola – ação da Secretaria Estadual da Educação que fomenta a resolução de problemas que emergem na comunidade.

A partir do resultado da seleção no programa, a direção do colégio decidiu expandir o projeto para os 830 alunos que cursam o ensino fundamental II e a educação de jovens e adultos (EJA).

Precaução

O estudante Otávio de Jesus, 12, contou que não deixa água acumular e que toda a família passou a fiscalizar rotineiramente. “A gente tira a água das plantas que acumula e ficamos atentos. Ficamos de olho para não deixar ter dengue”, disse.

Também estudante, Adriel Oliveira, 14, contou que já encontrou larvas do mosquito em casa. “Depois que eu aprendi mais, comecei a combater. Todo mundo lá em casa sabe que é importante”, afirmou.

“Essa escola já é bastante mobilizada. A gente usa como modelo para mostrar para outros colégios. A intenção é fazer com que os próprios meninos orientem os pais, a comunidade”, ressaltou a coordenadora do Programa Ciência na Escola, Shirley Costa.

O laboratório volante do ônibus “Ciência na Estrada”, da Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz), também esteve no local para que os estudantes pudessem conhecer a biologia e o ciclo de vida do mosquito através de microscópios.

Ocorrências

O Levantamento de Índice Rápido para Aedes aegypti (Liraa), da Secretaria Municipal da Saúde, realizado entre os dias 3 e 7 de outubro, apontou que o Índice de Infestação Predial (IIP) na capital é de 2,3%, ou seja, a cada 100 imóveis visitados, cerca de dois apresentaram focos do mosquito.

Na análise feita por distritos, o do subúrbio ferroviário, onde está a escola, é o segundo maior, perdendo apenas para Itapagipe. Segundo a Secretaria da Saúde do Estado (Sesab), até 11 de novembro, notificaram-se 56.083 casos suspeitos de zika, 50.528 casos suspeitos de chikungunya e 64.969 casos prováveis de dengue no estado.

Em relação à dengue, em 2016, os 64.969 casos notificados representam, segundo a Sesab, um incremento de 20,7%, quando comparado ao mesmo período de 2015, com o registro de 53.842 casos.

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