Professor da UFPI identifica sete novas espécies de aranhas

Professor da UFPI identifica sete novas espécies de aranhas

O doutorando em Zoologia e professor do curso de Biologia da Universidade Federal do Piauí (UFPI), Leonardo Carvalho, identificou sete novas espécies de aranhas, sendo duas encontradas somente no Piauí até o momento: Xeropigo aitatu e Xeropigo cajuina. A descoberta, segundo o professor, tira da inércia de quase 70 anos as publicações sobre esses animais que compõem a fauna piauiense. O trabalho foi publicado na revista neozelandesa Zootaxa.

O mestre em Zoologia explica como o trabalho teve início e conta que algumas das aranhas foram encontradas na casa de seus pais, em Teresina. Ele diz que apesar de a descoberta de novas espécies ser algo comum para quem trabalha com aranhas, descrevê-las não é assim tão simples. Ele diz que os animais encontrados possuem veneno, mas que são inofensivos para o ser humano.

“No mestrado, meu trabalho foi fazer o inventário das aranhas do Parque Nacional de Sete Cidades. As aranhas que o trabalho aborda são comumente encontradas dentro de casas no sul, no sudeste e no norte do Brasil, além de muitos países pelo mundo. Porém, os bichos que ocorrem no interior de residências do Piauí, são de uma das espécies-novas e isto não era o que esperávamos. Encontrar uma espécie-nova é algo extremamente comum para quem trabalha com aranhas. Descrevê-las nem sempre é tão fácil, pois precisamos comparar as supostas novas espécies com todas as outras já descritas”, relatou.

Ele explica ainda o motivo da escolha dos nomes das aranhas, que têm relação com a cor e o formato dos animais, além do local onde foram encontradas. O grupo descreveu ainda as aranhas que receberam os nomes de Xeropigo crispim e Xeropigo piripiri. O trabalho foi feito em parceria com os pesquisadores Alexandre Bonaldo (Belém-PA), Yulie Shimano (Belém-PA) e David Candiani (Belo Horizonte-MG).

“Quando vamos descrever uma espécie-nova, devemos escolher nomes que sejam únicos. Utilizar nomes locais ajuda nesta tarefa, além de homenagear o local ou alguém. Então, quando um dos colaboradores veio ao Piauí já pensou logo “precisamos descrever algum bicho em homenagem ao Cabeça-de-cuia e a cajuína”. E assim fizemos!”.

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Doutorando em Zoologia pela Universidade Federal de Minas Gerais, Leonardo comenta a importância da descoberta tão apenas para o Piauí, mas para a ciência de forma geral, embora o trabalho seja classificado como pesquisa básica.

“Para a ciência, mostramos mais uma vez que mesmo grupos bem conhecidos ainda podem revelar novas espécies. É extremamente importante que este tipo de trabalho – classificado como pesquisa básica por não resultar em aplicação direta à sociedade – necessita ser  incentivado por governos. O Piauí é um dos estados do Brasil que apresenta o pior conhecimento da sua biodiversidade. Falta incentivo dos órgãos de fomentos locais e cursos de pós-graduação voltados diretamente a biologia”, diz.

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Ele fala ainda da importância do trabalho para o Piauí. Ele diz que o estado possui baixíssimo conhecimento da diversidade de sua fauna e que ainda falta incentivo a esse tipo de pesquisa no estado.

“Para o Piauí, isto é importante, pois depois de quase 70 anos de inércia do conhecimento das aranhas da região, enfim passamos a ter publicações mais frequentes e recentes, porque há diversas outras além desta minha, descrevendo a nossa fauna. Finalmente a fauna de aranhas do Piauí apresenta uma boa representatividade”, explica.

Novas pesquisas 

Atualmente, o professor desenvolve dois grandes projetos de pesquisa. Um deles tem foco na conservação de invertebrados da Caatinga.

“Este é um grandioso projeto multi-institucional, que envolve a definição de locais para desenvolver pesquisas e atividades de conservação, como a criação de novos parques e outras unidades de conservação, utilizando dados de muitos grupos de animais, como borboletas, cupins, besouros, aranhas e escorpiões”, descreve o pesquisador.

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O segundo projeto é focado nas aranhas-treme-treme da Mata Atlântica. Nesta região, acredita-se que este grupo de aranhas é bastante diversificado, apresentando muitas espécies em cada localidade.

“Acredita-se ainda que estas espécies apresentem uma distribuição geográfica muito restrita, logo precisamos de ações de conservação muito mais eficientes para proteger essa rica e frágil biodiversidade. Este é o foco do meu doutorado”, diz Leonardo.

 

Fonte: http://cidadeverde.com/bicharada/77016/professor-da-ufpi-identifica-sete-novas-especies-de-aranhas

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