Pragas têm afetado a arborização de Belo Horizonte

Pragas têm afetado a arborização de Belo Horizonte

De um lado, toda a beleza das folhas verdinhas e a exuberância de copas frondosas. Do outro, asfalto, solo árido e muito cinza. Os cenários, conflitantes, traduzem realidades distintas, mas de um mesmo local. Terceira cidade mais arborizada do país, segundo o IBGE, Belo Horizonte aos poucos vem cedendo espaços verdes para o concreto.
Feita em 2010, a pesquisa do IBGE mostrou supressão de vegetação em todos os centros urbanos do Brasil. Em BH, um dos principais motivos da transformação é a expansão urbana, que requer, dentre outras intervenções, obras para garantir melhor mobilidade no trânsito, abrindo caminho para os transportes coletivo e individual. O ataque de pragas também alterou o cenário.
Há menos de dois anos, a avenida Bernardo Monteiro, na região hospitalar, ornada de fora a fora por fícus centenários, começou a perder beleza. Quase metade das árvores sucumbiu à mosca-branca, que suga a seiva e mata as plantas. O dano foi além da região hospitalar. Em toda a cidade, dos 103 exemplares da espécie infestados (no entorno da Igreja da Boa Viagem e avenida Barbacena, no Barro Preto), 38 não resistiram. O futuro das demais é incerto.
Movimentados corredores da cidade também passaram por significativas mudanças de cenário. Em pouco mais de um ano, as avenidas Cristiano Machado e Antônio Carlos foram completamente modificadas.
Na primeira, quase 500 árvores foram removidas. Na outra, pelo menos 150, entre jacarandás e palmeiras. Nos dois casos, as árvores deram lugar a corredores de pistas exclusivas para ônibus e a estações do Move.
– Controle
A gerente de Gestão Ambiental da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMMA), Márcia Mourão, garante que as políticas públicas municipais são suficientes para manter a cidade bem arborizada, a despeito de tantas mudanças, sejam elas em função de obras, fatores naturais ou pela própria ação do homem.“BH tem mudado, mas para melhor. O Programa BH Mais Verde, por exemplo, vai plantar 54 mil novas árvores em toda a cidade até o fim do ano”. Os locais de plantio não são informados pela secretaria.
“O que falta hoje é um plano diretor de arborização”, critica a diretora de Meio Ambiente do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB-MG), a arquiteta e urbanis[/TEXTO]ta Maria Del Mar Ferrer Jordá Poblet.
– Distribuição irregular de árvores pela capital mineira
 A distribuição de árvores pela cidade não é homogênea. Segundo dados da PBH, enquanto o Barreiro lidera o ranking de região mais verde – 59 m² por pessoa, área quase cinco vezes acima do recomendado pela Organização das Nações Unidas (ONU), por causa da presença das serras do Rola-Moça e do Curral –, a região Noroeste amarga a última posição, com apenas 2 m².
Entre os incontáveis benefícios que trazem à cidade – melhoria do aspecto estético, absorção de ruídos, climatização natural e manutenção do ecossistema –, as árvores também criam e mantêm a identidade dos espaços onde foram plantadas.
Na capital carioca, por exemplo, como cita a arquiteta Maria Del Mar Poblet, do IAB-MG, a rua Paissandu, uma das mais charmosas da cidade, é facilmente identificada por conta das imponentes palmeiras.
“É a rua onde morou a princesa Isabel, e as palmeiras seguiam todo o trajeto de casa à praia. De um lado a outro, de uma ponta a outra, totalmente embelezada pela vegetação”, diz, fazendo referência à rua, que fica no bairro do Flamengo, zona Sul do Rio de Janeiro.
Guernica, por exemplo, cidade espanhola imortalizada na obra de Pablo Picasso, nada mais é que uma árvore, um carvalho, sob o qual se reuniam célebres pensadores do país basco. E na Índia, são as figueiras, tradicionais e sagradas, que dão identidade a uma centena de lugares.
“Uma cidade homogênea, árida, sem diversidade, é uma cidade sem identidade, empobrecida. Daí a importância da arborização, que, além de embelezar, concede especificidade aos espaços”, afirma Maria Del Mar, para quem também é importante diversificar no plantio de espécies.
– COMPENSAÇÃO
Em BH, conforme normas da política ambiental municipal, as supressões de árvores sadias, quando inevitáveis, são compensadas com o plantio de outras. As substituições são anteriores aos cortes, segundo a PBH, e, sempre que possível, feitas na mesma área de onde os exemplares foram retirados.
O número de plantas repostas, que vai de dois a 15, varia conforme o porte do espécime retirado e se há ou não proteção da árvore suprimida, ainda segundo a prefeitura.

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