Nutrinsecta vai ampliar produção de insetos

Nutrinsecta vai ampliar produção de insetos

Grilo, barata e larva. Para a maioria das pessoas esses pequenos insetos são pragas ou, no mínimo, animais desagradáveis que precisam ser combatidos. Mas, na empresa mineira Nutrinsecta eles são fonte de riqueza que, após abatidos e desidratados, são vendidos para a indústria de ração animal. Com sete anos de experiência nesse mercado, a empresa está se preparando para ampliar a produção e já tem projetos para a venda de insetos também para alimentação humana.

A empresa pertencente ao Grupo Vale Verde nasceu para atender a uma demanda interna do zoológico existente dentro do Parque Vale Verde, em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). A produção acabou ganhando o mercado com a demanda de criadores de animais insetívoros, mas também de indústrias de ração animal.

Apesar de não revelar os números da Nutrinsecta, a responsável técnica, Alessandra Vitelli de Araújo, afirma que a empresa atende clientes no Brasil todo e, justamente devido ao crescimento dessa demanda, a produção teve que ser reformulada.

“O mercado é muito grande e, por isso, a empresa paralisou a venda durante o ano de 2016 para investir no aumento da produção. Nossa intenção é ampliar as matrizes, que são os insetos que vão se reproduzir, para cinco toneladas e, assim, vender entre 300 quilos e 500 quilos de insetos desidratados por mês”, afirma. A responsável técnica também adianta que a produção de insetos para a alimentação humana é um dos planejamentos para os próximos anos. Ela afirma que, para isso, a Nutrinsecta terá que abrir um novo CNPJ, dessa vez especializado no público humano, e lutar para liberação junto aos órgãos de vigilância sanitária e saúde.

“O consumo de insetos é muito comum em outros países e já temos provas de que ele não é prejudicial. Pelo contrário, os insetos são ricos em proteínas. Mas, no Brasil, a legislação ainda não é clara sobre o assunto, então o processo será um pouco mais lento”, explica. Alessandra Araújo acredita que vencer o preconceito em relação aos insetos como fonte de alimento também será um desafio no País, mas ela acredita que a adaptação acontecerá, já que até mesmo a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) tem um documento publicado incentivando a dieta a base de insetos.

 

Público Fit – Para a responsável técnica, o público que frequenta academias e já tem uma dieta diferenciada a base de proteína será o principal consumidor dos insetos comestíveis.

Segundo ela, a proporção de proteína existente em insetos é muito maior que a encontrada na carne. “Um filé bovino tem cerca de 23% de proteína em sua composição, enquanto que uma barata tem 65%”, exemplifica. Ela também garante que a textura e o gosto são atrativos e parecidos com salgadinhos industrializados.

A Nutrinsecta cria três tipos de insetos: o tenébrio comum e gigante, o grilo preto e a barata cinérea, que é diferente da barata doméstica. Eles são criados em bombonas, bandejas e caixas e se alimentam de uma mistura de nutrientes. Para a venda eles são abatidos e desidratados em um processo que dura de um a dois dias até chegar à crocância correta. De acordo com Alessandra Araújo, os insetos são vendidos desidratados ou em forma de farinha para alimentação de aves, répteis e pequenos mamíferos.

 

Fonte: Diário do Comércio

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