Nova espécie de formiga é descoberta por pesquisadores da UFU

Nova espécie de formiga é descoberta por pesquisadores da UFU

Depois de mais de quatro anos de trabalho, pesquisadores da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) descobriram uma nova espécie de formiga. Segundo eles, a espécie descoberta costuma viver em matas no Triângulo Mineiro e tem um jeito diferente de conseguir os alimentos. A pesquisa foi publicada em uma revista americana especializada. Para a publicação, os pesquisadores contaram com o apoio de um professor da Universidade de São Paulo (USO) e outro da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Segundo o pesquisador do instituto de Biologia da UFU Kléber Del Claro, a nova espécie é aCephalotis Specularis e é bem parecida com outra já catalogada, chamada de Crematogaster Ampla. A diferença é a presença de ferrão da Crematogaster. “Quando nós encontramos uma árvore com a Crematogaster Ampla, que é uma formiga muito agressiva, muito comum no cerrado, nós estávamos observando a proteção que essa formiga exerce para as árvores. Aí olhamos mais nitidamente e nós percebemos que a formiga que estava lá era uma diferente”, contou.

A nova espécie foi encontrada numa mata que fica a poucos quilômetros do Centro de Uberlândia. Ela pode estar em vários tipos de árvores do cerrado. De acordo com a pesquisa, essa formiga prefere árvores com troncos ocos para fazer o ninho. A análise apontou ainda que a Cephalotes não é fácil de ser encontrada, o que valoriza ainda mais o estudo.  “Nós descobrimos uma nova forma de vida na natureza e pra nós isso é muito empolgante e estimulante”, afirmou Kléber Del Claro.

O pesquisador acrescentou que a nova formiga é uma espiã. “Ela espiona o comportamento da outra e vai se comportar dependente da conduta que a formiga que está sendo imitada executa”, salientou.

Um vídeo feito pelos pesquisadores com imagem aumentada e velocidade reduzida, foi capaz de mostrar como a nova formiga age. A Cephalotis fica sozinha se apropriando do alimento que as outras encontraram. Quando a dona do espaço, se aproxima, a nova formiga movimenta-se rapidamente para não ser reconhecida. “Ela se aproveita de uma formiga que é muito agressiva e que tem total domínio de moradia, sobre o seu alimento, proteção contra os seus inimigos naturais para ganhar tudo isso de graça, apenas imitando, fazendo de conta que é uma daquelas que vivem ali”, explicou Kléber Del Claro.

O comportamento da nova espécie é visto pelos pesquisadores como parasitismo social. “É uma espécie de formiga que se tornou capaz, ao longo de anos de evolução, de parasitar todo o sistema social da outra. Uma coisa nova que não existia na natureza”, concluiu o pesquisador.

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