Ineficácia do governo causa infestação de pernilongos

Ineficácia do governo causa infestação de pernilongos

A infestação de pernilongos que tira o sossego e o sono dos betinenses também mostra como a prefeitura não cuida dos problemas que afligem a sua população. O problema ocorre em todo o município, mas é mais grave em áreas próximas ao rio Betim, principalmente nos bairros Jardim da Cidade, Santa Inês, Ingá, Angola, Bom Retiro e Olímpia Bueno Franco.
A falta de ação da Secretaria Municipal de Saúde e de outros órgãos da prefeitura está causando indignação em muitos moradores. É o caso do funcionário público Claudiomar Melo, morador do Jardim da Cidade. Ele reclama de que a infestação é decorrente dos esgotos a céu aberto espalhados pela cidade e do acúmulo de lixo e mato nas ruas e em lotes vagos.
“A água suja e malcheirosa que corre no rio Betim favorece a proliferação de larvas. A situação é insustentável. Se o município já tomou alguma medida, ela não foi efetiva. É preciso reavaliar as ações até aqui implementadas”, diz.
O auxiliar de serviços gerais Marli de Fátima, que tem domicílio no Santa Inês, lembra que o problema se intensificou no início de julho, ainda no inverno. “Quem mais sofre é minha mãe, de 65 anos. Ela fica com o corpo todo marcado, pois tem as artérias obstruídas e não pode fazer uso de repelentes. O ideal é que a prefeitura faça uso do fumacê”, clama.
Mesmo fechando todas as janelas da residência quando começa a anoitecer e fazendo o uso de inseticidas, a família de Marli tem dificuldades para dormir. “Sempre enfrentamos esse problema, mas, nesta temporada, o número de pernilongos aumentou assustadoramente”.
Na casa de Madalena Aguiar, no bairro Santa Inês, os frascos de repelente estão sempre à mão. Mas não só eles. A família também usa raquetes eletrônicas para matar insetos. “São pernilongos grandes e resistentes a venenos. Então, o jeito é apelar para outros métodos”, afirma. O resultado, entretanto, quase sempre não é o esperado. “A situação está insustentável. A gente só consegue dormir por volta das três da madrugada, quando o corpo está no limite”.
Para a auxiliar de produção Simone Fírbida, moradora do Bueno Franco, o incômodo é ainda maior, pois ela é alérgica às picadas. “O meu corpo está cheio de feridas. Para dormir, tenho usado calça e blusa de manga comprida. Eu nunca vi nada igual”, destaca.
Mas todo o sofrimento da população parece não comover os governantes, que não tomam medidas efetivas. Segundo a prefeitura, ações semanais de controle estão sendo realizadas em córregos, com aplicação de larvicidas e adulticidas biológicos, além da limpeza de áreas verdes. Porém, a população não tem visto a promoção dessas medidas. Em relação ao fumacê, o governo informou que ainda não recebeu nenhuma instrução do Estado.
 – Febre Chikungunya também deve alertar autoridades
Na última semana, Minas Gerais teve o primeiro caso confirmado da febre chikungunya, transmitida pelo mesmo mosquito da dengue, o Aedes aegypti. A paciente tem 48 anos e mora em Matozinhos, na região metropolitanal da capital. Na segunda-feira (13), a Secretaria de Estado de Saúde (SES) reconheceu o risco de surto no Estado.
A coordenadora estadual do Programa de Controle Permanente da Dengue da SES, Geane Andrade, alertou que todos os municípios devem ficar atentos. “Não há uma área de risco específica. Temos infestação de Aedes aegypti em todo o Estado”, disse.
– Combat
Em Belo Horizonte, segundo o secretário municipal de Saúde, Fabiano Pimenta Júnior, a principal ação de combate à febre chikungunya é o combate ao mosquito Aedes aegypti. “Os profissionais do SUS na capital já estão preparados para realizar o diagnóstico e o tratamento da doença”. Matozinhos também iniciou uma força-tarefa na quarta (15).
Em Betim, a prefeitura informou que o município já recebeu material informativo e de sensibilização para uso dos Agentes de Combate a Endemias (ACEs). Além disso, nesta semana, técnicos da Vigilância à Saúde deverão receber treinamento do Estado para o correto enfrentamento aos vetores do chikungunya. O Executivo ressaltou, ainda, que está convocando profissionais aprovados no último concurso público e, ainda, licitando a compra de quatro caminhonetes para reforçar as ações do Centro de Controle de Zoonoses no município.
– População teme nova epidemia de dengue
Uma das grandes preocupações dos moradores é que a infestação de pernilongos que atormenta a população volte a provocar uma nova epidemia de dengue, como em 2013, ano em que a cidade atingiu a taxa de incidência de 1.300 casos por 100 mil habitantes. De acordo com o Ministério da Saúde (MS), para caracterizar uma epidemia, o número de notificações não pode passar de 300 por 100 mil.
“Pelo que a gente sabe, os mosquitos são parentes dos pernilongos. Então, quando começar a chover, a gente vai correr muitos riscos”, diz a auxiliar de produção Simone Fírbida. Ela reclama de que o Parque Ecológico Edmeia Braga, conhecido como Matinha do Ingá, está abandonado, o que facilita a infestação. “Há muito mato e sujeira. O local precisa ser limpo. As pessoas que moram nessa região estão sofrendo demais”.
O médico sanitarista Carlos Reis lembra que a melhor arma contra o mosquito transmissor da doença, o Aedes aegypti, é sempre a prevenção. “Para vencer o mosquito da dengue, só unindo forças”, diz.
– Números
Segundo a assessoria de imprensa da prefeitura, neste ano, até 10 de outubro, o município havia registrado 379 notificações de dengue, sendo que 11 estão em investigação. “Durante todo o ano, são realizadas ações preventivas, como visitas de agentes de combate a endemias (ACEs) às residências, conscientizando moradores e aplicando larvicida”.

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