Dedetização da plateia

Dedetização da plateia

Convidado a visitar crianças de uma escola primária, o Exterminador decidiu contar uma de suas histórias preferidas:

“Vocês conhecem a Xuxa, certo? Pois bem, nos anos oitenta, seu programa era a coisa mais legal que a gente já tinha visto na televisão. No meu aniversário de sete anos, ganhei uma viagem até o Rio de Janeiro para ver o programa ao vivo na plateia, vejam só que presentão! Quando cheguei, fiquei encantado com tudo, havia muitas outras crianças com quem brincar, pompons para sacudir, o palco era colorido e cheio de luzes. Antes do programa começar, comemos cachorro-quente, pipoca, sorvete e docinhos de todos os sabores. Até ali, tudo estava sendo exatamente como eu havia imaginado, era o aniversário que todas as crianças desejavam.


Quando o show estava para começar, cheios de expectativas, eu e as outras crianças nos acomodamos na plateia. Tudo ficou escuro e silencioso, depois iluminado e colorido, a música começou a tocar, os animadores entraram como foguetes e o show havia enfim começado. Estava tudo tão divertido, até que notei algo diferente na confusão do palco. Na pequena multidão ali formada por paquitas, animadores, personagens e crianças, uma figura me chamou a atenção.

Asas, corpo alongado, um bico, pernas compridas e listradas. Um enorme Aedes aegypti. Imaginem só, desde moleque já sabia por que estava no mundo. Não pensei duas vezes, pulei toda a arquibancada e subi no palco para capturar o bicho. Foi uma confusão só. Mas tudo  terminou quando um segurança conseguiu me tirar de cima do bicho e dizer: “Ei, moleque! Este é o Dengue, um boneco, feito de espuma e borracha.” Fiquei olhando para o mosquitão colocar as mãos no rosto, tirar a máscara e revelar um homem sorrindo para mim.”

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