Os insetos e doenças no inverno

Os insetos e doenças no inverno

O ciclo de vida dos insetos, entre eles borboletas, besouros, formigas e outros, está diretamente ligado à sazonalidade do clima da região e a disponibilidade de recursos alimentares. O período de atividade destes organismos é o verão, quando existe grande abundância de lagartas (de borboletas e mariposas), de revoadas de cupins e formigas entre outros inúmeros organismos, tanto nos ambientes naturais quanto nas cidades.

No inverno, notamos uma substancial redução na atividade dos insetos em geral. Naquelas residências onde há infestações de formigas nota-se a diminuição de sua atividade, assim como a presença dos insetos que visitam flores e frutos nos jardins e praças.

Muitos insetos entram, nas estações mais frias do ano, em diapausa, que é uma hibernação em que o inseto fica em estado de metabolismo muito baixo. Muito comum em borboletas, mariposas e besouros, pode ocorrer na fase larval (lagartas por exemplo), na fase de pupa (crisálidas de borboletas, por exemplo) ou mesmo nos adultos. É uma adaptação para ambientes em que há uma estação fria e com baixa oferta de alimento.

Entretanto, assim que a temperatura ambiente aumenta e conseqüentemente a oferta de alimentos, os insetos voltam a suas atividades e picos reprodutivos, perpetuando suas espécies.

Doenças no Inverno

Com a chegada do inverno, inverno brasileiro e com sua chegada podemos perceber um maior número de espirros, tosse e alergias em geral na população. No inverno há um aumento de até 40% na incidência de doenças respiratórias, principalmente as alérgicas como Asma, Rinite, Resfriados e Gripe, entre outras.

“Esse crescimento pode ser explicado por diversos fatores: o próprio frio, que funciona como um irritante para as vias aéreas de algumas pessoas; a redução da umidade relativa do ar; a inversão térmica, que é responsável pelo acúmulo maior de poluentes na atmosfera; a maior concentração de pessoas em locais fechados e pouco arejados; e também o uso de casacos de lã e cobertores que ficam guardados no armário por longos períodos até a queda da temperatura”, afirma Dr. Roberto Rodrigues Junior, pneumologista do Delboni Auriemo Medicina Diagnóstica/ Diagnósticos da América – DASA.

A resposta alérgica é uma reação de hipersensibilidade do organismo quando as pessoas que são sensíveis com determinadas situações entram em contato com agentes desencadeantes chamados alérgenos, que provocam uma crise de doença alérgica. “Dentre os alérgenos mais conhecidos destacam-se a poeira domiciliar, ácaros, epitélios de animais, baratas, fungos, polens, além de agentes irritantes como fumo e poluentes”, acrescenta o pneumologista.

A Asma é caracterizada pela presença de inflamação, hiperresponsividade e obstrução reversível das vias aéreas tendo como manifestações clínicas principais tosse, falta de ar, chiado no peito, dor ou aperto no peito. A Rinossinusite alérgica, mais conhecida como Rinite, é uma inflamação do nariz e estruturas adjacentes ocasionada pela exposição aos alergenos caracterizada por espirros em salva, coriza, prurido nasal e congestão nasal. Tanto a Asma quanto a Rinite são doenças com determinação genética influenciadas por fatores ambientais. A Bronquite consiste em termo, mais genérico, que significa inflamação dos brônquios, podendo ser ocasionada por infecções, agentes irritantes e alergia. No nosso país, a população freqüentemente chama de bronquite o que na verdade é asma. Da mesma forma a Sinusite é a inflamação dos seios da face apresentando diversos agentes infecciosos desencadeantes.

Como os ácaros tem estreita relação com este aumento nos casos de asma no inverno, apresentamos uma breve descrição deste pequeno animal, seus hábitos e das principais maneiras de evitar que ele se prolifere no lar.

Os ácaros são seres minúsculos, semitransparentes, com cerca de 0,3 mm invisíveis a olho nu que pertencem ao Phillum Artropoda, o mesmo grupo das aranhas. Eles alimentam-se de restos de comida, da descamação da  pele humana e animal e de fungos e mofos que proliferam em ambientes propícios, causando uma série de problemas ao homem.

Os problemas respiratórios estão entre os mais comuns causados pelos ácaros. Sabe-se que hoje 70% dos asmáticos e 80% das pessoas com rinite são sensíveis a eles.

Tosse, espirros e falta de ar, também podem ser provocados por ácaros e seus dejetos: estima-se que os ácaros chegam a colocar 30 bolotas fecais todo o dia e estas sensibilizam o alérgico também.

Diferente de outros tipos de pragas mais comuns, como a barata, são poucas as informações disponíveis a respeito desta importante praga e de como controlá-la, havendo no mercado uma carência por empresas que possam ajudar seus clientes a diminuírem a sua incidência em ambientes domiciliares.

Desta maneira, o conhecimento de medidas simples, que podem ser adotadas por qualquer um de nós, no controle deste artrópodo é de extrema importância na manutenção do conforto ambiental neste período de frio. A seguir apresentamos quatro medidas básicas para qualquer família:

  1. CONTROLE DE UMIDADE – Como os ácaros se alimentam de restos de comida, da descamação da pele humana e animal e dos fungos e mofo e reproduzem-se com facilidade, precisando somente de um pouco de calor e umidade, uma das regras básicas para o controle destes artrópodes é o controle da umidade. Assim, problemas de umidade em paredes ou pisos, causados por má impermeabilização ou vazamento na rede hidráulica devem ser necessariamente reparados. Sem o controle da umidade, os ácaros poderão se desenvolver no ambiente domiciliar. Medidas complementares para diminuir a umidade em um ambiente, tais como promover a circulação de ar ou a insolação periódica do local, ajudam a manter os níveis de infestação controlados.
  2. LIMPEZA – Como rodapés, frestas de assoalho, aberturas, carpetes, tapetes, colchões, roupas, cobertores, lençóis, sofás, almofadas, bonecos e brinquedos de pelúcia, tatames, artefatos de palha e outros ambientes em que o acúmulo de poeira aconteça também podem favorecer o desenvolvimento de ácaros, a limpeza do domicílio é outro fator fundamental para o controle de infestações. Lembre-se que em 1 g de poeira podem ser encontrados até 3.000 ácaros.
  3. CAPAS EM COLCHÕES E TRAVESSEIROS – Os colchões e travesseiros, por sua vez, constituem ambientes ideais para reprodução e sobrevivência desses parasitas, pois reúnem quase sempre condições favoráveis e mais constantes ao longo do dia, graças à transpiração e descamações naturais do corpo dos usuários. Colchões podem ser comparados a cemitérios de gerações e gerações de ácaros. Desta maneira, a adoção de capas sobre o colchão ou travesseiros, que podem ser retiradas periodicamente para serem lavadas, é uma outra medida que com certeza, limitará o desenvolvimento desta praga em ambiente domiciliar.
  4. ELIMINE O EXCESSO DE OBJETOS – No quarto de dormir, retirar o excesso de objetos, como livros, bichos de pelúcia, brinquedos, etc., que podem acumular poeira e, por consequência, alimento para os ácaros.

Usar acaricidas, purificadores de ar com filtro e desumidificadores (quando a umidade estiver acima de 60%)  são medidas complementares para o controle de infestações de ácaros em sua casa e devem ser adotadas com orientação de especialistas, analisando-se a sua situação. No entanto, a adoção das medidas acima  melhorará, com certeza, a sua qualidade de vida neste inverno e protejerá a sua família de crises alérgicas causadas por estes pequenos animais.

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