O impacto da saúva na pecuária

O impacto da saúva na pecuária

Na década de 1960, o já falecido pesquisador Elpídio Amante, do Instituto Biológico do Espírito Santo, levantou números impressionantes sobre o impacto das saúvas na atividade agropecuária. Estudioso das formigas cortadeiras, ele chegou à conclusão de que dez sauveiros por hectare da espécie Atta capiguara são capazes de se alimentar de 21 kg de capim por dia. O valor é equivalente ao consumo diário de um boi em regime de pasto. Considerando que sauveiros maduros (com até cinco anos), têm entre 3,5 e 7 milhões de indivíduos fica fácil enxergar o tamanho do problema.

“Ainda hoje, a saúva é uma praga comum nas pastagens e precisa ser melhor controlada”, afirma o pesquisador da Esalq Octavio Nakano. A cada hectare, elas ocupam em média 700 m² e reduzem a capacidade de suporte do pasto em 50%.

Na agricultura, nem sempre causam um dano tão grande, por conta da lavoura estar sob constante monitoramento e algumas plantas serem pouco afetadas pela desfolha. “No caso do milho, por exemplo, 60 dias depois do plantio a folha já não tem muita importância. A soja sim, poderia sofrer mais, mas os agricultores acompanham seu desenvolvimento desde o início, o que evita surpresas”, completa Nakano.

Formas de controle

Independentemente do ambiente produtivo ocupado pelas saúvas, não faltam mecanismos para combatê-las. As opções vão de receitas caseiras, como mistura de água e sabão, a formicidas químicos e orgânicos.

O controle mais usual ainda é o químico, feito por meio de iscas com substâncias capazes de intoxicar a formiga por ingestão. Colocada na trilha para o sauveiro, a isca atrai as operárias por conta de seu componente cítrico e, uma vez entregue às jardineiras, mata essas formigas. “As jardineiras são responsáveis pelo cultivo do fungo que alimenta a colônia e, quando elas morrem, o fungo degenera”, explica o pesquisador. A falta de comida provoca a extinção do sauveiro. De baixo custo, agroquímicos à base de sulfluramida e fipronil têm se mostrado eficientes para controle sauveiros recentes e antigos.

Formicidas orgânicos

Mais polêmica é a eficiência de plantas tóxicas no combate à formiga, o que, inclusive, foi alvo de estudos do pesquisador Octavio Nakano. Ele conta que na natureza a saúva não carrega folhas de mamona e que durante muito tempo tentou-se intoxicá-la por via bucal sem sucesso. A mamona tem uma substância venenosa para essas formigas cujo nome é ricinina.

No caso do gergelim, prejudicial ao desenvolvimento do fungo cultivado no sauveiro, o desafio foi outro. “De primeira, segundo consta na literatura, as saúvas até carregam o gergelim para dentro do ninho, mas, ao perceber que se trata de um fungicida, logo deixam de fazer seu transporte”, afirma o pesquisador.

Diante dos resultados pouco promissores, adotou-se a alternativa de fumigar essas substâncias no interior do sauveiro, o que mata os insetos por via respiratória. “A descoberta não é nossa [da Esalq], mas criamos um cone que impulsiona a fumaça a até dois, três metros de profundidade, que é o que vai permitir matar a rainha”, diz.

No interior do cone, feito de papelão, há um composto à base de mamona com óleo de gergelim e pólvora. Aceso seu pavio, ele começa a soltar a fumaça. De acordo com Nakano, a substância não é tóxica para o homem ou outras espécies. Seu formato é próprio para encaixe na boca do formigueiro.

Embaixo da terra, o produto se dissipa rapidamente e tem concentração adequada para matar as formigas numa área de até 10 m², medida na superfície. Segundo o pesquisador, o composto não deixa resíduo nenhum na pastagem e a ricinina, presente na mamona e tóxica para as saúvas, se degrada com facilidade. O produto, que funciona também contra as quenquéns, está há cinco anos sob análise da Anvisa.

Fonte: Portal DBO

Deixe seu comentário

32 - 22 =