Inseticida experimental faz mosquitos ‘explodirem’

Inseticida experimental faz mosquitos ‘explodirem’

Um novo inseticida em desenvolvimento por cientistas atuando nos EUA pode fazer mosquitos “explodirem” após se alimentarem. A molécula experimental, batizada VU041, tem como alvo o Anopheles gambiae, principal vetor da malária, e o Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chicungunha. O composto paralisa os rins das fêmeas destas espécies, que precisam de substâncias existentes no sangue para seu ciclo reprodutivo, fazendo com que acumulem líquidos e sais até literalmente estourarem.

– Estamos essencialmente impedindo que os mosquitos produzam urina depois de sua refeição de sangue – resume Jerod Denton, professor de anestesiologia e farmacologia da Universidade Vanderbilt, EUA, e um dos autores de estudo sobre a nova molécula, publicado nesta segunda-feira no periódico científico “Scientific Reports”.

Segundo os pesquisadores, o inseticida experimental apresenta algumas vantagens importantes sobre os tradicionais. A primeira é que ele ataca seletivamente as fêmeas, únicas que picam. Já a segunda é por atingir o sistema renal dos insetos. Os inseticidas convencionais, por sua vez, buscam matar tanto machos quanto fêmeas ao longo das diversas fases de suas vidas e em geral têm como alvo o sistema nervoso dos animais. Assim, eles acabam por pressionar geneticamente o surgimento de linhagens resistentes dos insetos.

– Ao termos como alvo as fêmeas dos mosquitos que se alimentam de sangue, esperamos que haja uma pressão seletiva menor para o surgimento de mutações resistentes – diz Denton.

De acordo com o cientista, a ideia de paralisar os rins dos insetos veio do fato de as fêmeas dobrarem ou mesmo triplicarem seu peso corporal após suas sangrentas refeições. Mas, além de forneceram os nutrientes que elas precisam, o sangue traz consigo sais tóxicos como o cloreto de potássio presente nas hemácias, que pode despolarizar as membranas celulares e levarem à morte. Assim, as fêmeas dos mosquitos evoluíram um rápido processo diurético para separar a água e os sais dos nutrientes necessários para o desenvolvimento de seus ovos.

– Muitas pessoas não sabem, mas os mosquitos têm rins, e quando sugam seu sangue têm que urinar quase que simultaneamente – destaca Denton. – O que o nosso composto faz é parar a produção de urina, de forma que elas (as fêmeas dos mosquitos) incham e não conseguem regular seu volume, fazendo com que em alguns casos simplesmente estourem.

No estudo, os pesquisadores mostraram que o VU041 é eficaz quando aplicado topicamente, o que indica que potencialmente poder ser adaptado em um inseticida em spray. Ele também verificou que o inseticida não prejudica as abelhas, importantes polinizadoras. Os cientistas agora se preparam justamente para testar uma formulação do composto em aerossol. Mas ainda se o experimento for bem-sucedido, ainda serão necessários mais testes de segurança antes que ele seja desenvolvido comercialmente.

Fonte: O Globo

Deixe seu comentário

8 + 2 =